Foto: Reprodução/Redes sociais
Em Cinfães, distrito de Viseu, uma criança brasileira de apenas 9 anos, de nome José Lucas, viu parte dos seus dedos ser amputada por colegas, num acto de violência extrema que deixou marcas físicas e psicológicas profundas. O fato aconteceu na Escola Básica de Fonte Coberta.
Segundo relatos da mãe, Nivia Estevam, os colegas fecharam a porta da casa de banho sobre as mãos do menino, pressionando até provocar a amputação das pontas de dois dedos. Incapaz de se libertar, José Lucas arrastou-se por baixo da porta para pedir ajuda, enfrentando sozinho a dor e o choque do trauma. “Achei que morreria de hemorragia”, pontuou o menino.
A gravidade do ataque foi agravada pela total incompetência e conivência das instituições. As funcionárias da escola nem sequer se deram ao trabalho de guardar todos os dedos amputados para possível reimplante, e a situação foi minimizada pela própria instituição, que alegou tratar-se de um “acidente simples” com poucos ferimentos e quase nenhum sangramento — afirmações que entram em contradição com o relato médico e com a própria criança. A mãe denuncia que o local foi limpo rapidamente, apagando qualquer vestígio do crime que ali ocorreu, enquanto a vítima ainda chorava e perdia sangue.
Nivia relatou que não era a primeira vez que José sofria agressões por parte dos colegas de escola. Em uma das situações, o pescoço da criança foi prensado em uma parede ao ponto de estourarem veias, deixando hematomas.

O horror não se limitou à negligência da instituição escolar. Em entrevista ao monopólio mediático SNC TV News, a mãe relatou que, ao tentar expor a gravidade da situação e a dimensão xenofóbica do ataque, um agente da PSP assumiu uma postura agressiva, “batendo na mesa” e afirmando de forma veemente que não toleraria que ela sugerisse que Portugal é um país racista ou xenófobo. O agente em questão, ainda não identificado, tornou a assediar a família em chamadas telefônicas buscando reiterar seu posicionamento. Nivia afirmou ao monopólio de imprensa que se mudará por conta do medo de represálias.
A Inspeção-Geral da Educação abriu um processo de averiguação, e a mãe recorre agora a apoio jurídico para garantir que o filho não seja apenas mais uma vítima silenciada pelo velho Estado. Mas as perguntas que permanecem são clara: quantas crianças, quantos estrangeiros e quantas massas populares terão de sofrer ataques para que as instituições portuguesas sejam responsabilizadas por seus crimes?
O chauvinismo português, produto apodrecido do velho Estado português
Esta é mais uma tragédia que escancara a reacionarização alarmante da sociedade portuguesa. Tal situação não é um caso isolado, mas revela uma crescente tendência do velho Estado para o chauvinismo, que camuflam de todas as formas o aumento avassalador do racismo e da xenofobia sob falsos gritos de “igualdade” e “receptividade”.
Uma criança é mutilada, e em vez de ver justiça imediata, encontra barreiras silenciosas e explícitas: a PSP, órgão de repressão do velho Estado português, que intimida a mãe ao denunciar racismo, e um sistema escolar que prefere encobrir a gravidade do incidente do que responsabilizar os culpados.
O caso de José Lucas evidencia, de forma crua e dolorosa, a crescente reacionarização da sociedade portuguesa com base no chauvinismo e no racismo, semeada pelo velho Estado de grandes burgueses e latifundiários. Tal processo se agrava como uma forma de dividir as massas para golpeá-las parte por parte, colocando umas contra as outras, para 1. conter os crescentes protestos que inundam as ruas e vielas das cidades portuguesas, que unificam todas as massas em suas demandas comuns e 2. derrubar os seus direitos democráticos arrancados com a luta secular da classe operária e do povo no país, pois um movimento operário e popular dividido precisará de muito mais tempo para estruturar-se de forma apropriada.
Enquanto os chauvinistas e demais fascistas de plantão usam os imigrantes como cortina de fumaça, o velho Estado português os usam como bucha de canhão para, progressivamente, fazer o mesmo movimento de esmagamento com todas as massas populares portuguesas, se aproveitando do cenário de divisão semeado pelo chauvinismo da grande burguesia e do latifúndio. Nisto, os chauvinistas e fascistas, gentalha como o Chega e demais partidos e grupelhos reacionários, representam o espírito prático do seu velho Estado como ninguém.
José Lucas sobreviveu, mas perdeu parte de dois dedos e, com eles, uma inocência que nenhum sistema educativo ou policial deveria permitir que se destruísse. O velho Estado, por meio de suas instituições de ensino e de repressão, insiste em negar o racismo que, na prática, se manifesta em cada gesto de ativa repressão às massas populares, em cada minimização de crimes contra o povo e em cada tentativa de silenciar denúncias. É hora de confrontar a realidade: enquanto não houver combate ativo e impiedoso contra essa velha ordem reacionária, a xenofobia, o racismo e toda a sorte de acções reacionárias continuarão a acontecer. Não há salvação para o velho Estado de grandes burgueses e latifundiários serviçais do imperialismo: a única alternativa viável é uma nova ordem, surgida das cinzas desta, que ponha fim a todo o podrido chauvinismo semeado pelo imperialismo e pelos reacionários.

2 pensamentos sobre “Em ataque racista, estudante brasileiro tem dedos da mão amputados: instituições chauvinistas do velho Estado português tentam acobertar o caso”
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