Daniel Noboa, presidente reacionário do Equador. Foto: Rodrigo BUENDIA/AFP
Partilhamos material originalmente publicado na imprensa popular e democrática brasileira A Nova Democracia.
Ao dia 17/12, o EUA iniciou um processo de envio de tropas militares para o Equador. As tropas se estabeleceram na base militar de Manta. O envio contraria a decisão do povo equatoriano, que há um mês votou “não” à possibilidade de reabertura do território para tropas militares estrangeiras, em um referendo que ocorreu o dia 16 de Novembro. Duas semanas antes do referendo, a secretária de segurança nacional ianque, Kristi Noem, visitou a base militar de Manta.
Para burlar a opinião pública equatoriana de alguma maneira, a operação é descrita como uma parceria “temporária”, mesmo que nenhum tempo limite tenha sido estipulado oficialmente. A condizer com a estratégia geral de intervenção ianque para a América Latina, o presidente reacionário do Equador, Daniel Noboa, anunciou na “rede social” X que “esta operação permitirá identificar e desarticular as rotas do narcotráfico, e subjugar aqueles que acreditavam que poderiam tomar o país”. O imperialismo ianque manteve bases militares na região até 2009. No ano anterior, com uma nova constituição, a presença militar externa havia sido juridicamente banida.
A constituição equatoriana de 2008 segue vigente, e a presença militar estrangeira no território ainda é proibida. Após o resultado do referendo, Daniel Noboa, nascido em Miami, voltou para o EUA, para restabelecer o trâmite que culminaria no presente envio de tropas ianques ao país latino-americano. Noboa é filho do bilionário Álvaro Noboa, dono do “Grupo Noboa” e por décadas o homem mais rico do Equador. O conglomerado Noboa controla uma das maiores operações de exportação de frutas do mundo, ligado ao latifúndio e a logística portuária do Equador. A ida ao EUA, sua terra natal, se deu em meio às negociações decorrentes da chantagem trumpista aplicada com o “tarifaço”.
“Nova Cartilha” ianque aprofunda intervenção em todo o continente
A operação ianque para o Equador segue a cartilha de combate ao “narcoterrorismo”, termo empregado para dar contorno às recentes intervenções militares promovidas pelos ianques no território do cone sul, sem precedentes no século XXI. Sob a mesma batuta, o EUA firmou um acordo de “cooperação militar” com o Paraguai na última segunda-feira (15/12), o que permite a presença de tropas ianques e atividades militares no país. Segundo informações oficiais, o pacto autoriza o envio de militares, o uso de instalações paraguaias, intercâmbio de inteligência e realização de operações conjuntas. Autoridades paraguaias afirmam que a medida visa “fortalecer o controle de fronteiras”, especialmente na região da Tríplice Fronteira, sob o pressuposto de enfrentar organizações que atuariam no país, a exemplo do Primeiro Comando da Capital (PCC), de origem brasileira, com presença em presídios no Paraguai.
A marinha do EUA também já destruiu dezenas de embarcações e assassinou uma centena de pessoas no mar do caribe e na costa venezuelana, segundo informações divulgadas pelos próprios ianques. Na última terça-feira (16/12), o ultrarreacionário Donald Trump anunciou “bloqueio total e completo” da entrada e saída de navios petroleiros na Venezuela e designou toda a nação venezuelana como um “grupo terrorista estrangeiro”. Em teor de latente ameaça, o arquirreacionário colocou ainda no mesmo comunicado: “A situação só vai piorar, e o choque para eles será algo que nunca viram antes – até que devolvam aos Estados Unidos da América todo o petróleo, terras e outros bens que nos roubaram”. No dia 10 de dezembro, apenas 6 dias antes, a marinha ianque sequestrou um navio civil que transportava 1,9 milhão de barris de petróleo comprados da Venezuela. O petróleo compõe em torno de 80% das exportações da Venezuela, e constitui cerca de ⅓ de todo o Produto Interno Bruto (PIB) do país.
No Peru, o ministro das relações exteriores, Hugo de Zela, declarou apoio às operações criminosas ianques no mar das Caraíbas: “Eles [EUA] dispararam contra barcos que transportavam drogas em águas internacionais. Isso não aconteceu em águas pertencentes a nenhum país, portanto, vemos isso como um esforço para combater o narcotráfico”. Durante o ano de 2025, as forças armadas reacionárias peruanas receberam 6 helicópteros de guerra UH-60 Blackhawk, presenteados pelo imperialismo ianque. O mesmo ministro anunciou que o EUA irá atribuir ao país o estatuto de aliado principal não-membro da NATO. Além do Peru, outros países latino-americanos possuem o mesmo estatuto: Argentina, Colômbia e Brasil.
Todas as operações militares em questão fazem parte da dita “Nova Estratégia”, o programa oficial vigente para as relações internacionais do EUA. O documento, divulgado no dia 5/12, emitiu as linhas gerais de sua estratégia de intervenção imperialista contra países oprimidos, e admite o destaque especial para a América Latina. O documento afirma textualmente o objetivo do imperialismo ianque em “continuar a ser a maior e mais bem-sucedida nação da história da humanidade e o lar da liberdade na Terra”, e se declara pela necessidade de “restaurar sua liderança no hemisfério ocidental”. Analistas apontam que a “Nova Estratégia” confirma a tendência do imperialismo ianque de aumentar sua intervenção nos países latino americanos, sob a condição de reprimir o questionamento da “autoridade” do imperialismo ianque por organizações insurgentes e revolucionárias. Conforme o caso do Exército Popular do Paraguai (EPP), dissidências das FARC e outros movimentos populares.
