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Ao longo de Dezembro de 2025, a situação na Índia permanece marcada por uma intensa luta entre as forças revolucionárias dirigidas pelo Partido Comunista da Índia (Maoista) e o amplo aparato repressivo do velho Estado indiano, actualmente comandado pelo regime hindutva-fascista de Narendra Modi.
Em todo o mundo, foram levadas adiante acções em defesa da Guerra Popular na Índia, e organizações revolucionárias em França, Alemanha, Portugal, Turquia, Brasil e diversos outros países levaram a cabo ações de solidariedade nas mais diversas frentes.
Nesse contexto, as áreas historicamente conhecidas como “Corredor Vermelho” (que se estendem por regiões de Chatisgar, Jarcanda, Biar, Orissa e partes de Telanganá e Maarastra) continuam a ser palco de confrontos armados, mobilizações populares e intensas tensões sociais. Essas regiões sofrem actualmente duros ataques do velho Estado no âmbito da genocida “Operação Kagaar”, dirigida não apenas contra o Partido Comunista da Índia (Maoísta) e o seu Exército Guerrilheiro Popular de Libertação (EGPL), mas também contra as comunidades adivasis e camponesas que dão base social à Guerra Popular. É neste contexto que não somente combatentes, mas mais de 180 indígenas e camponeses foram martirizados enquanto Modi busca desesperadamente cumprir seu vão objectivo de “erradicar o maoismo” até maio de 2026.
Nas primeiras semanas de dezembro de 2025, organizações como o Fórum Contra a Corporativização e a Militarização (FACAM) emitiram denúncias contra assassinatos extrajudiciais de militantes revolucionários e contra a tomada de civis adivasis como reféns durante operações militares em Bijapur. Essas denúncias caracterizam tais actos como flagrantes violações do direito humanitário e como expressão directa da brutalidade estatal exercida contra as populações oprimidas.
Ainda em Dezembro, um protesto realizado em Calcutá denunciou o assassinato de dirigentes maoístas e de activistas populares, trazendo à cena pública a indignação de sectores progressistas contra as políticas de excepção do regime. Nessas manifestações, denunciaram-se os chamados “encontros falsos” e a impunidade com que as forças repressivas do velho Estado actuam nas florestas e vilas, expondo a violência estatal reacionária tanto no plano político quanto no mediático.
No dia 25 de Dezembro, o dirigente maoísta Ganesh Uike foi martirizado pelo velho Estado. Em sua memória, mais de dez mil pessoas compareceram ao seu funeral, entoando cânticos em defesa da Guerra Popular e denunciando a genocida Operação Kagaar, numa demonstração inequívoca de apoio popular ao Partido e à luta revolucionária.
No plano militar, a actividade do Exército Guerrilheiro Popular de Libertação manteve-se activa ao longo do mês. Em Saranda, no dia 18 de dezembro, acções com IEDs (dispositivos explosivos improvisados) foram levadas a cabo por combatentes do EGPL nas florestas de Jarcanda, resultando na aniquilação de dois soldados da reacção. Em Dandakaranya, no dia 17 de Dezembro, irromperam protestos das massas contra a repressão do velho Estado, demonstrando o apoio das massas aos maoístas. Já no dia 11 de dezembro, combatentes do EGPL confiscaram cerca de quatro mil quilos de explosivos pertencentes às forças estatais, que serão utilizados em novas acções armadas contra o aparato armado do velho Estado.
Traições no seio do movimento revolucionário depuram suas fileiras
Mesmo sob dura repressão e traições internas – como a de Sonu, Satish e seus seguidores oportunistas, ex-membros do Comité Central do Partido que se renderam ao velho Estado e colocaram como justificativa de “novas condições”, típico expediente do revisionismo – o PCI (Maoista) reafirma, de forma consequente, a validade da Guerra Popular Prolongada como método estratégico para derrubar o sistema de dominação imperialista e burocrático-feudal na Índia.
Essa posição foi expressa de maneira clara na declaração “Prometemos ao Povo que o Nosso Partido nunca se renderá ao inimigo”, levada a público o dia 16 de Outubro. O Partido sublinha, em suas declarações mais recentes, a necessidade de mobilizar operários, camponeses, adivasis, dálites, mulheres e minorias religiosas numa frente unificada de classe, combinando a luta político-militar com formas amplas de resistência social e de massas.
A situação das massas populares na Índia
Esses desenvolvimentos ocorrem num momento em que as contradições na Índia, como o desemprego massivo (mais de 30 milhões, segundo a Trading Economics), a desigualdade agrária e o acesso precário à saúde e à educação (quase 40% das crianças sofrem com algum grau de desnutrição alimentar, e mais de 1.5 milhão não estão matriculadas na escola), continuam a alimentar a insatisfação popular e a aprofundar a crítica ao Estado burocrático-latifundiário indiano.
Observadores no próprio país têm assinalado que problemas socioeconómicos não resolvidos mantém viva e justificada a resistência popular, mesmo sob condições de repressão militar intensificada.
Embora o velho Estado procure apresentar determinados episódios, como rendições forçadas ou perdas de quadros, como sinais de enfraquecimento da luta armada, os relatos populares apontam que a Revolução torna-se cada vez mais intensa e assume novas formas, contornando os ataques reacionários.
Apoio internacional e solidariedade internacionalista
Paralelamente ao desenrolar dos acontecimentos na Índia, a Guerra Popular tem gerado um amplo movimento de solidariedade internacional, evidenciando o carácter profundamente internacionalista da luta contra o imperialismo, o fascismo e a exploração dos grandes burgueses e latifundiários.
Organizações, colectivos e partidos comunistas, revolucionários e democratas em todo o mundo intensificaram acções de protesto e conscientização. Em países como Chile, França, Alemanha, Itália, Dinamarca, Holanda e Portugal, grupos alinhados à luta anti-imperialista e revolucionária organizaram manifestações públicas, panfletagens, pichações e debates denunciando as operações repressivas da “Operação Kagaar” e afirmando apoio explícito à Guerra Popular Prolongada na Índia ao longo de dezembro.
Os Partidos e organizações destacam a resistência indiana como um ponto de apoio estratégico para o movimento revolucionário internacional, sublinhando que o fortalecimento da Guerra Popular na Índia é decisivo para o combate ao imperialismo em escala mundial. Em Istambul, por exemplo, foi realizado um protesto em frente à embaixada da Índia com os slogans “Abaixo a Operação Kagaar!” e “Fim ao massacre!”.
Recentemente, diversos Partidos e organizações também comemoraram os 25 anos de fundação do EGPL. A unidade de Tagalog do Sul do Novo Exército do Povo (NEP), exército dirigido pelo Partido Comunista das Filipinas (PCF) que também faz Guerra Popular neste país desde 1967, que publicou uma declaração a saudar os 25 anos do EGPL e os grandes sacrifícios feitos pelo PCI (Maoista), seus dirigentes, quadros, militantes e combatentes.
Na América Latina, e particularmente no Brasil e Equador, a solidariedade expressou-se através de diversas declarações e acções de rua e campanhas políticas que articulam a situação indiana com as lutas contra as políticas reaccionárias e a repressão nos próprios países da região.
Organizações democráticas e revolucionárias levaram adiante sessões públicas de informação, círculos de estudo sobre a Guerra Popular, panfletagens, hasteamento de faixas e acções de propaganda desde o sul até o norte do país, buscando construir pontes concretas entre os oprimidos da Índia e os explorados de todo o mundo. Esse activismo articulado reflecte uma consciência crescente de que as lutas locais fazem parte de uma dinâmica global de resistência ao capitalismo burocrático, aos latifundiários e ao imperialismo.
Essas iniciativas solidárias reforçam a compreensão de que a Guerra Popular na Índia não é um fenómeno isolado, mas uma etapa crucial na lutas de classe no século XXI. Para os revolucionários e massas de todo o mundo, apoiar a revolução indiana não é apenas uma questão de justiça ou solidariedade moral, mas uma necessidade estratégica para a construção de uma corrente revolucionária unificada capaz de enfrentar o imperialismo e a exploração em escala global.
