U.S. Republican presidential candidate Donald Trump speaks during a campaign stop in Tampa, Florida February 12, 2016. REUTERS/Mike Carlson TPX IMAGES OF THE DAY - RTX26Q4B
Partilhamos matéria publicada na imprensa popular e democrática brasileira A Nova Democracia.
O presidente arquirreacionário ianque, Donald Trump, afirmou, no dia 29 de dezembro, que o primeiro ataque terrestre do EUA contra a nação venezuelana ocorreu, e teria sido em uma doca, na zona portuária. O cabecilha imperialista não detalhou sobre a operação ou quem a teria executado. Se confirmado, trata-se do primeiro ataque ianque às terras venezuelanas, propriamente, o que representaria uma nova etapa de agressão ianque ao subcontinente latino-americano. O pronunciamento, na ocasião, foi feito ombro a ombro a outro genocida, o primeiro-ministro de “israel”, Benjamin Netanyahu, com quem está reunido em Mar-a-Lago, Flórida.
Segundo o monopólio de imprensa CNN, o ataque foi conduzido pela Agência Central de Inteligência (CIA) e efetuado por drones, a uma doca de localização também ainda não identificada. O ataque teria ocorrido no final da semana passada, mas só foi confirmado hoje pelo presidente ianque. Apesar de não ter respondido aos detalhes sobre onde e qual braços das forças militares ianques conduziu o ataque, foi resoluto em dizer que “sabe exatamente quem foi, mas não quero dizer quem foi” e continua em relação a “grande instalação” bombardeada: “Nós a destruímos”.
Este ataque, apesar de se somar às dezenas de ataques feitos à Venezuela, e ao continente americano nos últimos meses, inaugura um avanço na intervenção imperialista na América Latina. É a primeira vez em que há um bombardeio ao solo da Venezuela e também do Cone Sul como um todo, além de ser o primeiro bombardeio ianque a toda América Latina desde o século passado, agora durante a nova etapa de decomposição agonizante do imperialismo.
A operação, sem declaração formal de guerra e sem respaldo dos chamados “organismos multilaterais”, à revelia do direito internacional, se soma a toda sorte de condutas ilegais e arrogantes do imperialismo ianque. O EUA recorre à força militar para impor sanções, sequestrar ativos estratégicos e aprofundar o cerco econômico contra a Venezuela, utilizando seu poder bélico como instrumento de coerção política. Esse tipo de ofensiva integra uma estratégia mais ampla de militarização do subcontinente latino-americano. Sob o pretexto de “sanções”, “combate ao narcoterrorismo” ou “segurança energética”, o EUA busca consolidar sua presença militar no Caribe e no Cone Sul no objetivo de combater o perigo de Revoluções e as organizações de luta armada, ao mesmo tempo em que tenta dissuadir rivais imperialistas, como Rússia e principalmente China, e reafirmar seu controle global sobre rotas estratégicas e recursos naturais.
Além disso, a Venezuela é utilizada como bode expiatório para legitimar uma política contrainsurgente. O cerco naval, a retórica de “segurança” e a ampliação da presença militar em países como Peru, Equador, Paraguai e Bolívia criam precedentes perigosos que podem ser aplicados contra outros países da região, inclusive o Brasil, sobretudo quando uma das justificativas recorrentes do imperialismo ianque é o suposto combate ao “narcoterrorismo” e, no caso da intervenção crescente no Paraguai, a justificativa é explicitamente uma organização do tráfico de drogas brasileira.
Cresce a resistência anti-imperialista
No entanto, a resistência à arbitrariedade ianque cresce e se espalha. Movimentos de resistência têm tomado vulto cada vez maior. Na própria Venezuela, frente às agressões, 4,5 milhões de homens e mulheres vêm se organizando em “milícias bolivarianas” para enfrentar uma possível invasão terrestre. Na Colômbia, o Exército de Libertação Nacional (ELN) tem somado ações contundentes contra o velho estado. O Eln publicou na segunda-feira (15/12) no site oficial do ELN, um artigo afirmando que a “Nova Estratégia” ianque para a América Latina “expõe claramente a ansiedade de uma potência em declínio, que tenta reafirmar sua hegemonia por meio do unilateralismo, da coerção militar e da pressão política, revivendo antigos dogmas imperiais”.
No mundo inteiro, democratas, progressistas e revolucionários se mobilizam em torno da consigna anti-imperialista. Em 23 de dezembro, em Miami, houve protestos organizados pela U.S. Hands Off Venezuela Coalition para exigir que o EUA pare com as ameaças e sanções contra a Venezuela, defendendo autodeterminação dos povos, protesto similar já havia ocorrido no dia 6. No dia 20, protestos levantaram os progressistas e anti-imperialistas em diferentes países da Europa; a 11 de dezembro, foi a vez de milhares de italianos tomarem as ruas em defesa da nação venezuelana.
‘Trata-se de uma guerra de agressão imperialista’
“Não estamos diante de um caso ou situação de intervenção indireta do imperialismo nos assuntos internos de nossos países, como ocorreu no caso da Argentina nas eleições de meio de mandato em outubro passado. No caso que nos ocupa, trata-se de intervenção direta, com o emprego de todo o potencial político, econômico e militar do Estados Unidos, a superpotência hegemônica única, contra um país fraco do Terceiro Mundo, em conluio e disputa com a Rússia e demais países imperialistas”. Assim caracterizou a situação a Associação de Nova Democracia Nuevo Perú. “Trata-se de uma guerra de agressão imperialista contra um país oprimido em sua primeira fase. Não estamos na etapa prévia de preparativos e de criação da opinião pública interna e externa; isso já foi realizado ao longo de vários períodos de governos do Estados Unidos, durante várias décadas”.
Os revolucionários peruanos afirmam ainda que “é preciso conjurar as ameaças de capitulação e as tentativas de capitulação na resistência nacional, principalmente por parte dos governantes do país agredido, oriundos da fração burocrática da grande burguesia. O problema na frente única nacional é a falta de direção proletária, bem como a necessidade de um Partido Comunista marxista-leninista-maoísta que dirija a guerra de libertação nacional. Isso necessariamente se materializará. Diante do perigo de capitulação, o proletariado, o campesinato, a pequena burguesia, a burguesia nacional e outras forças patrióticas devem persistir na resistência, com o apoio do proletariado e dos povos do mundo”.
