Carro incendiado em protesto diante da farsa eleitoral no Nepal. Foto: Reprodução/ The Red Herald.
Partilhamos matéria publicada na imprensa popular e democrática brasileira A Nova Democracia, com alterações linguísticas para facilitar a leitura.
O portal Arauto Vermelho (Heraldo Rojo, em espanhol) noticiou que objetos suspeitos foram encontrados em várias partes do Nepal antes das eleições de 5 de março, inclusive na capital Katmandu, e em áreas como Sarkhet, Kanchanpur e Biratnagar.
Às vésperas das eleições marcadas para 21 de Falgun (5 de março, no calendário Bikram Sambat), as forças de segurança informaram que objetos suspeitos foram encontrados em várias partes do país. Foi relatado que itens suspeitos foram localizados em áreas como Surkhet, Kanchanpur e Biratnagar.
Segundo as informações recebidas, um objeto suspeito foi encontrado em Chhinchu, em Surkhet. Na manhã de 3 de fevereiro, o objeto foi encontrado na estrada Chhinchu–Jajarkot, em Ratachaur, no município de Bheriganga-10. Moradores locais alertaram as forças de repressão depois de verem uma panela de pressão embrulhada em plástico vermelho com a palavra “perigo” escrita, colocada à beira da estrada.
Assim que recebeu a informação, uma equipe policial foi enviada ao local, informou o inspetor de polícia Prakash K.C., do Escritório Distrital de Polícia de Surkhet. Ele disse: “Depois que recebemos a informação de que um objeto suspeito havia sido encontrado na beira da estrada, imediatamente estabelecemos um perímetro de segurança.” A polícia isolou a área e proibiu a circulação de civis. As “autoridades” informaram que medidas de segurança adicionais foram adotadas considerando o possível risco.
Da mesma forma, dois veículos foram incendiados em Maharajgunj e Naikap, em Katmandu. De acordo com o superintendente de polícia Pawan Bhattarai, da Polícia Distrital de Katmandu, um carro Toyota com placa BAE 2836 foi incendiado perto do escritório da Sipradi Trading (grande monopólio financeiro e industrial), em Naikap, e uma van Maruti com placa BA 7 CHA 1401 foi encontrada incendiada em Maharajgunj.
Em Maharajgunj, a van Maruti foi encontrada em chamas perto do posto de gasolina Capital Petrol Pump. Suspeita-se que um grupo revolucionário que busca boicotar as eleições parlamentares de 21 de Falgun tenha realizado os incêndios.
Da mesma forma, um objeto suspeito foi encontrado na Rodovia Leste-Oeste em Kanchanpur. A polícia informou que duas bolsas suspeitas foram encontradas na rodovia na área de Bani, município de Krishnapur-2. Segundo Rajesh Basnet, inspetor da Polícia da Área de Jhalari, ainda não foi possível determinar o que há dentro das bolsas encontradas. No local, equipes da Polícia Distrital de Kanchanpur, lideradas pelo DSP Hem Bahadur Shahi, juntamente com a Polícia Armada e o Exército do Nepal, foram mobilizadas. A polícia também deteve um indivíduo suspeito que afirmou ter colocado a bolsa na rodovia. As forças de repressão estão examinando os objetos suspeitos.
Um novo movimento?
O Nepal, pequeno país asiático entre a China e a Índia, foi palco de uma Guerra Popular, deflagrada em 13 de fevereiro de 1996, tendo na direção o Partido Comunista do Nepal (Maoísta). A gloriosa luta revolucionária do povo e do Partido Comunista do Nepal foi responsável pela libertação de 80% de seu território, e desde a deflagração da Guerra Popular até a deterioração do partido à direita pelo revisionismo, o PCN(m) foi a principal força política do país. No entanto, após 10 anos de heróica Guerra Popular, no ano de 2006,posições capitulacionistas que já vinham sendo defendidas por alguns dirigentes do PCN (M) foram tornadas públicas com o anúncio de um “cessar fogo” e o fim da luta armada.
Isso se deu após um gigantesco levantamento de massas em todas as cidades e vilas do Nepal, sobretudo na capital Katmandu, quando as massas em armas, dirigidas pelo PCN (M) já haviam estabelecido órgãos do Novo Poder na maior parte do país. O rei Gyanendra, acossado pelo avanço das forças revolucionárias, se viu forçado a suspender o estado de emergência que vigorava no país e a restabelecer o parlamento.
O que os dirigentes do PCN (M) anunciaram como avanço da democracia no país foi revelado, posteriormente, não só por suas palavras, mas também pelos fatos, na completa traição e capitulação da Guerra Popular. O cessar-fogo entre o Exército Popular de Libertação (EPL) e o Exército Real do Nepal foi sucedido por uma série de negociações envolvendo os partidos políticos legais do país e uma assembleia constituinte conduziu à formação, em 2008, de um governo interino com Pushpa Kamal Dahal (Prachanda), então principal liderança do PCN (M) renegado e chafurdando no oportunismo, naquele então ocupando também o cargo de primeiro-ministro, resultando na capitulação e no restabelecimento do velho regime político em todo o país.
