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No dia 10 de Dezembro de 2025, foi publicada uma resolução (180/2025) desde a Assembleia da República que reconhece o “Cartel de los Soles”, organização inventada pelo imperialismo ianque para pretexto de sua invasão à Venezuela, como uma “organização terrorista”.
De acordo com o documento, que está no Diário da República, o tal “cartel” é uma “organização terrorista internacional, […] ameaça direta à segurança do Estado Português, à estabilidade da União Europeia e à ordem internacional”.
O partido que propôs a resolução foi o Chega, encabeçado pelo reacionário André Ventura, seguido do apoio da Iniciativa Liberal (IL) e do Pessoas-Animais-Natureza (PAN), com a abstenção do CDS-Partido Popular (CDS-PP) e do Partido Social-Democrata (PSD).
No momento de sua aprovação, o Chega declarou que o velho Estado português deve cumprir “medidas legislativas, diplomáticas e operacionais necessárias para reforçar os instrumentos de prevenção, cooperação e repressão das actividades deste Cartel”, repercutindo a mesma posição do chefete ultrarreacionário do imperialismo ianque, Donald Trump, e de outros organismos do imperialismo, como a União Europeia (UE).
O “cartel” e a invasão do imperialismo ianque à América Latina
Ganhando força no último ano, o imperialismo ianque esteve a fustigar militarmente a América Latina, particularmente a Venezuela. Tais movimentações surgem no contexto do aumento da agressividade da política da democracia liberal burguesa dos EUA contra as nações oprimidas tanto da região, disputando-a tanto com o imperialismo russo quanto como o social-imperialismo chinês.
Como forma de cobrir as investidas contra a Venezuela, Donald Trump e o velho Estado ianque vinham espalhando, com o auxílio da extrema-direita no país, acusações de “narcotráfico” contra o presidente do país, Nicolás Maduro, atribuindo-o como cabecilha do tal “Cartel de los Soles”.
Em um comunicado à imprensa feito pelo atual governo de turno ianque feito a 16 de Novembro por Marco Rubio, chefe do Departamento de Estado dos EUA, há o desígnio o suposto grupo como uma “organização terrorista estrangeira” (FTO, em inglês). A UE, hegemonizada pelo imperialismo alemão, também aprovou uma resolução que faz a mesma classificação para o “cartel”, designando Maduro como seu chefe.
Menções ao tal “cartel”, apesar da narrativa de que são extensivamente documentadas e comprovadas, só existem nos documentos levados a público pelo Departamento de “Justiça” dos EUA, pelo “Parlamento da UE” na propaganda extensiva da extrema-direita ianque. Mesmo o próprio monopólio mediático, tanto os imperialistas quanto os de grandes burgueses e latifundários nos países oprimidos, têm admitido que não há credibilidade na existência dessa organização.
Apesar das acusações, o imperialismo norte-americano possui relações muito bem estabelecidas e documentadas com o tráfico de drogas em vários países, como a Nicarágua, Afeganistão e Panamá, onde a actividade serviu de apoio à extrema-direita de alguns desses países ou à ocupação militar direta a eles.
A extrema-direita portuguesa, lacaia fiel do imperialismo ianque
Com seu discurso formalmente “anti-sistema”, a extrema-direita portuguesa e particularmente o Chega trafica com a preocupação acerca do problema da droga que se abate sobre as massas populares.
É preciso relembrar que, ao contrário de um suposto cartel venezuelano, quem possui relações com o tráfico de droga comprovadas em Portugal é o próprio Chega e a extrema-direita: Sérgio Júnior, deputado do partido em Braga, foi detido em Outubro de 2023 por este crime. A Polícia de Segurança Pública (PSP) ainda tentou omitir o seu nome na tentativa de proteger a imagem de Júnior e de seu partido, mas foi descoberto pelo monopólio de imprensa.
É cada vez mais escancarado que a extrema-direita atua como um cão de guarda fiel do imperialismo, principalmente o ianque, no seu ataque e cerceamento às nações oprimidas da América Latina. O velho Estado português de grandes burgueses e latifundiários, como pode se ver na recente aprovação da resolução, é a plataforma mais fiel para completar estes objetivos. Este movimento serve muito bem a ela, à medida de que explorará a expansão do raio de repressão e imposição das piores condições de vida às massas populares, particularmente o esmagamento chauvinista contra imigrantes, que são associados com a criminalidade pelo Chega.
