Cartaz pela Liberdade de Mateus. Foto: Jornal A Nova Democracia
Partilhamos matéria publicada na imprensa popular e democrática brasileira A Nova Democracia, com alterações linguísticas para facilitar a leitura.
As entidades e colectivos estudantis MEPR, Mangue Vermelho, Movimento Ventania e Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe) convocam a campanha nacional “Liberdade já para o estudante Mateus, preso político anti-imperialista! Justiça para todos os anti-imperialistas baleados pela PM-PE!”, na sequência dos acontecimentos da manifestação realizada no Recife, no dia 28 de Janeiro, marcada pela resistência estudantil contra a repressão policial, em solidariedade com o povo e a nação venezuelanos e contra o imperialismo ianque (Estados Unidos).
Mateus Galdino e uma estudante do ensino secundário foram presos arbitrariamente após a manifestação anti-imperialista em solidariedade com o povo e a nação venezuelanos. Nesse mesmo protesto, populares revoltados com a acção do “Grande Satã” (Estados Unidos) contra a Venezuela lançaram uma bomba incendiária contra um quiosque da cadeia monopolista de restauração McDonald’s, símbolo do imperialismo ianque.
Perante a combativa acção revolucionária das massas, a Polícia Militar de Pernambuco (PM-PE) reprimiu sumariamente a manifestação, atingindo pelo menos cinco activistas com disparos de armas de fogo e dezenas com gás pimenta. Dois dos baleados foram um jornalista do Comité de Apoio ao Jornal A Nova Democracia (AND) e uma estudante do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Pernambuco. Face à repressão fascista da PM-PE, estudantes defenderam-se audazmente, deixando três polícias feridos, incluindo um que desenvolveu um traumatismo craniano.
Com a manifestação já dispersa, e a mais de um quilómetro do local do protesto, a estudante do ensino secundário e o estudante Mateus Galdino foram detidos por transportarem bandeiras da manifestação, revelando que, para a PM-PE e o velho Estado brasileiro, lutar é crime.
Em nota publicada nas redes sociais, as entidades afirmam que “A imputação de tentativa de homicídio é completamente descabida, não passa de perseguição política e da sanha de vingança da PM que saiu desmoralizada por ter sido repelida pela autodefesa dos manifestantes. Em nenhum momento foi apresentada qualquer prova de que os estudantes presos estavam envolvidos no conflito, haja visto que todos estavam com os rostos cobertos e eles somente foram presos após a dispersão do ato. Não há nenhum registo que vincule os dois estudantes à suposta agressão sofrida pelos PMs.”
Na mesma noite da manifestação, a estudante do ensino secundário prestou depoimento e foi libertada, mas Mateus Galdino permaneceu detido.
No dia seguinte realizou-se a audiência de custódia de Mateus, no Fórum Rodolfo Aureliano, onde a juíza decretou a sua prisão preventiva, determinando que permanecesse detido no Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, apesar de cumprir todos os requisitos legais para aguardar julgamento em liberdade.
Durante a audiência, estudantes encontravam-se já em protesto em frente ao fórum, exigindo a sua libertação imediata e justiça para todos os atingidos pela agressão da PM-PE. No dia seguinte, as entidades estudantis convocaram a campanha que exige “Investigação e punição dos polícias que dispararam contra os manifestantes! Liberdade imediata para Mateus Galdino, lutar não é crime! Justiça para todos os anti-imperialistas baleados pela PM-PE!”.
Extrema-direita inicia campanha de difamação
No dia 30 de Janeiro, o deputado federal Coronel Meira/PL publicou um vídeo nas redes sociais classificando os manifestantes anti-imperialistas como terroristas e afirmou que “em qualquer país do mundo seriam abatidos de imediato”, acrescentando que “aqui em Pernambuco, é difícil!”, defendendo a execução sumária de militantes da luta popular.
O deputado afirmou ainda que, enquanto membro efectivo da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, solicitou ao seu gabinete o enquadramento do preso político Mateus Galdino na lei antiterrorismo, sancionada por Dilma Rousseff/PT após as jornadas de 2013 e 2014.
