Foto: Reprodução/X
Partilhamos material publicado no Jornal A Nova Democracia, imprensa popular e democrática brasileira, sobre uma megaoperação de guerra contra as massas operárias e populares da cidade do Rio de Janeiro. Há algumas alterações linguísticas para facilitar a leitura.
Neste dia 28/10, o governo reacionário do Rio de Janeiro empreendeu uma verdadeira guerra às massas na maior operação da história do Rio de Janeiro. Até a última atualização desta matéria, estão confirmados 64 mortos na chacina. A invasão espalhou o terror nos complexos da Penha e do Alemão, se expandindo para o complexo [nota de NA: complexo é um conjunto de comunidades conhecidas como bairro de lata em Portugal] do Chapadão e outras favelas. Em sequência, protestos ocorreram por toda a cidade. Moradores relatam ao AND o fechamento de rodovias, além de bloqueio com ônibus e caminhões, além de barricadas incendiadas em rechaço ao morticínio promovido pelo velho Estado.
Moradores dos complexos da Penha e do Alemão acordaram em pleno cenário de guerra, chamas, drones e blindados. A operação mobilizou mais de 2 mil policiais civis e militares, que conta com policiais oriundos de todas as delegacias especializadas da Polícia Civil, equipes dos Comandos e Operações Especiais (COE), do Coordenação de Operações e Recursos Especiais (CORE) e de batalhões de toda a região metropolitana. Para além do epicentro da operação no Complexo do Alemão e da Penha, muitos bairros da Zona Norte e Oeste da cidade sofrem impactos: Méier, Lins, Riachuelo, Engenho Novo, Tijuca, Grajaú, Jacarepaguá, Barra da Tijuca, dentre outros afetados.
A operação logo no seu início teve 3 pessoas feridas: dois homens, entre eles um morador de rua, e uma mulher indo ao trabalho. Diversas violações de direitos foram denunciadas por moradores nas redes sociais, como invasões de residências e abordagens violentas, além de vídeos que mostram os resultados da operação, como um vídeo veiculado pela página “Voz das Comunidades”, onde uma moradora filma uma poça de sangue na sua sala de estar.
Vídeos nas redes sociais mostram corpos empilhados e moradores sendo presos por contestarem a violência brutal da operação e a invasão de policiais em suas casa. Protestos também ocorreram no bairro do Catumbi, onde pessoas fecham a via exigindo o fim da operação nas favelas. Na Avenida Brasil, 2 pistas foram fechadas por ônibus atravessados, o mesmo aconteceu na Barão do Bom Retiro, em Engenho Novo, e em Rio Comprido.
A megaoperação genocida também impacta os mercados e comércios que tiveram que ser fechados em diversos municípios do estado, como em São Gonçalo, Nova Iguaçu e Queimados, onde também houve fechamento de vias e moradores relataram avistar helicópteros voando rasante.
O governo reacionário de Cláudio Castro, que utilizou a ladainha de “guerra às drogas” e aproveitou da operação com fins eleitoreiros, visando alimentar suas bases de extrema direita. O governador disse em nota ao monopólio de imprensa que a operação “é fruto de um ano de investigação da Delegacia de Repressão à Entorpecentes (DRE) em colaboração com o MPRJ”.
Veículos do monopólio venderam a megaoperação como um sucesso. Entretanto, moradores das favelas e internautas denunciam que as operações policiais apenas trazem imensos impactos negativos a suas vidas, além de não resolver em nada o problema da delinquência e distribuição de entorpecentes.
Até o final da noite de quarta-feira (28/10) a operação não chegou ao fim. Sendo esta a operação mais letal da história do Rio de Janeiro, contando com mais que o dobro de mortes da chacina do Jacarezinho, em 2021, com 28 mortos. Esta, a época, o monopólio de imprensa, taxou todos os assassinados pela polícia como criminosos, porém familiares de pelo menos 11 vítimas confirmaram que eram inocentes.
A megaoperação no Complexo do Alemão e Penha não é a primeira que diz “tentar retomar o controle do Estado” na região. Nas últimas décadas, ocorreram diversas tentativas fracassadas do velho Estado de ocupar o local, como a invasão do Complexo do Alemão em 2010, que estabeleceu as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). No futuro, estas unidades fracassaram em seu objetivo de “acabar com tráfico”, sendo os próprios policiais, na verdade, denunciados como fornecedores de drogas e armas para o varejo de entorpecentes. Além de inúmeros casos de violações de direitos fundamentais e assassinatos contra moradores nas favelas ocupadas.
Juventude pobre é alvo do genocídio do velho Estado
A Unidade Vermelha – Liga da Juventude Revolucionária (UV-LJR), organização democrático-revolucionária da juventude pobre, respondeu à solicitação da reportagem de AND para que comentasse o fato: “os reacionários utilizam a chamada ‘guerra às drogas’ e os grupos, mal chamados de ‘facções’, para justificar uma guerra ao povo pobre”, cuja política de encarceramento em massa da juventude preta e pobre e de repressão atroz “apenas fazem com que tais grupos cresçam mais, o que é usado para justificar mais repressão”. “O que acontece é que a juventude das favelas, principalmente seus setores mais empobrecidos e oprimidos, agredidos permanentemente pelo estado de guerra imposto pela repressão facínora justificado como ‘guerra ao tráfico’, acabam engrossando as fileiras desses grupos, primeiro pelos jovens das massas populares mais pobres enxergarem neles uma resistência armada à opressão maior que sente vindo das forças policiais e do que enxergam como sendo o poder político, e também são atraídos por ilusão de que vão ascender individualmente com o crime, em vez de lutar contra o sistema e pela Revolução, que é mais difícil e exige uma organização revolucionária”. O discurso, de que tal estado de guerra é necessário para combater o crime, “não passa de uma manipulação”,
Diz a UV-LJR: “Todos sabem que a verdadeira cúpula dos negócios de drogas, por exemplo, se encontram muito longe das favelas, estão dentro de palacetes luxuosos, e o tráfico de armas nem se fala, seus promotores maiores são os próprios fabricantes estrangeiros, magnatas que lucram, a chamada ‘guerra ao tráfico’ é apenas uma política de choque para contenção da revolta dos jovens que cresce com a pobreza, apenas isso”. As ações chamadas pela imprensa reacionária de “retaliação do tráfico à operação da polícia”, são, na verdade, “atos de revolta da juventude com tal estado de guerra civil reacionária, juventude das massas fundas e profundas arregimentadas e dirigidas por tais grupos, porque a juventude mais oprimida das favelas se vê iludida com a ideia de poder pessoal e ainda sem perspectiva revolucionária”.
Junto do histórico de genocídio ao povo pobre e preto no Brasil, segue em curso uma guerra de baixa intensidade contra as camadas mais pobres do povo, hiper concentradas nas favelas e periferias das metrópoles. Os governos dizem “combater o crime” sem qualquer transformação das condições de vida nas favelas. A extrema direita busca emplacar discursos populistas de “combate ao crime” para ganhar votos na próxima farsa eleitoral. A tática oportunista adotada pelos políticos da extrema direita, até a falsa esquerda, de recrudescer o aparato repressivo do velho Estado, são todos cúmplices da opressão sobre as massas trabalhadoras.
Mesmo com o aumento das operações policiais nos últimos dez anos e com a política de encarceramento em massa, o número de confrontos armados e de mortes violentas na cidade não vem diminuindo. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Rio de Janeiro figura entre os estados com mais mortes em ações policiais, porém com o contínuo aumento da delinquência.
