Bilionário, pedófilo e traficante de pessoas, ostenta blusa do exército de "israel". Foto: The Telegraph
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A liberação de milhões de páginas dos arquivos do Departamento de Justiça (DOJ) do EUA, entre o fim de Janeiro e o início de Fevereiro de 2026, trouxe novos e graves elementos documentais sobre o caso do magnata Jeffrey Epstein que aprofundam a hipótese de que ele manteve vínculos duradouros com o serviço de inteligência nazi-sionista (Mossad) e com figuras centrais do poder político em “Israel”. Os documentos – que incluem e-mails, registros de contato, memorandos internos e referências em investigações de contrainteligência – indicam que tais conexões não foram episódicas nem meramente sociais, mas contínuas e relevantes o suficiente para serem analisadas como possível risco de influência sionista, em paralelo à extraordinária impunidade que Epstein manteve mesmo após sua condenação por crimes sexuais em 2008.
Entre os registros mais sensíveis está um memorando do FBI, produzido em 2020 no âmbito de uma investigação sobre influência doméstica e estrangeira no processo político do EUA, que cita informações fornecidas por uma confidential human source (CHS) – em tradução livre: uma fonte humana confidencial. O documento afirma que Epstein “trabalhou com a inteligência israelita” e que a fonte “convenceu-se de que Epstein foi um agente cooptado pelo Mossad”, formulação registrada em arquivo oficial e inserida num procedimento de segurança nacional. Embora o memorando não tenha se constituído em prova judicial, sua existência demonstra que a hipótese foi tratada pelo FBI como questão legítima de contrainteligência.
O eixo factual mais consistente dos novos vazamentos continua sendo a relação directa e prolongada entre Epstein e o ex-primeiro-ministro da entidade sionista Ehud Barak. E-mails, calendários e registros logísticos mostram que Barak e sua esposa permaneceram diversas vezes no apartamento de Epstein em Nova York entre 2013 e 2017, período posterior à condenação do magnata por aliciamento de menores. As mensagens revelam coordenação rotineira de limpeza, viagens e tecnologia, além de trocas em que Epstein se colocava como facilitador de contatos políticos e empresariais. Barak reconhece a relação e os encontros, mas afirma não ter presenciado crimes.
Os arquivos também mostram que Epstein não se limitava a relações pessoais, mas actuava como intermediário informal em temas sensíveis de política internacional, utilizando “Israel” como plataforma estratégica. E-mails liberados indicam tentativas de articulação entre lideranças sionistas, elites do Golfo e círculos políticos ocidentais, além de mensagens em que Epstein alegava aconselhar líderes estrangeiros sobre aproximações diplomáticas envolvendo “Israel” e EUA. As alegações foram posteriormente negadas pelos governos citados. O padrão que emerge dos documentos é o de um operador que transitava fora dos canais diplomáticos formais, oferecendo acesso, financiamento e mediações.
Outro núcleo relevante dos vazamentos envolve a política ianque. O mesmo memorando do FBI afirma que o presidente ultrarreacionário Donald Trump estaria “comprometido com Israel”, segundo a fonte confidencial, e identifica Jared Kushner (ex-conselheiro sênior da Casa Branca) como figura central no processo decisório do governo. O documento também menciona o movimento ultra-ortodoxo Chabad-Lubavitch como ator político influente, descrito como “empenhado em cooptar” a presidência. Essas afirmações são registradas como depoimentos de fonte humana, e constam integralmente dos arquivos oficiais agora tornados públicos.
Os documentos retomam ainda o acordo judicial firmado por Epstein em 2008 na Flórida. O acordo penal (plea deal) resultou em uma pena excepcionalmente branda para crimes sexuais envolvendo menores, destoando do padrão aplicado em casos semelhantes no sistema judicial ianque. Registros do FBI citam a alegação de que o então procurador Alex Acosta teria sido informado de que Epstein “pertenceu à inteligência”, explicação que ajudaria a entender a pena excepcionalmente branda diante da gravidade dos crimes. Embora Acosta não tenha comprovado publicamente tal afirmação, ela aparece reiterada nos arquivos como parte do debate interno sobre a blindagem institucional que Epstein desfrutou por mais de uma década.
Os vazamentos também recolocam em primeiro plano os crimes sexuais atribuídos a Epstein: tráfico e abuso sistemático de menores, exploração sexual organizada e uso de uma rede de propriedades e intermediários para recrutar vítimas. Sobreviventes do esquema criticaram a forma como os arquivos foram divulgados, apontando que suas identidades foram expostas enquanto muitos facilitadores permanecem sem responsabilização. Advogados e organizações civis que representam vítimas do esquema de Epstein também criticaram a divulgação dos arquivos. A advogada de direitos civis Gloria Allred classificou o material como “devastador”, afirmando que a liberação priorizou a proteção institucional em detrimento da dignidade das sobreviventes. Em declaração conjunta, cerca de 20 vítimas de Epstein denunciaram que suas identidades foram insuficientemente resguardadas, enquanto os nomes de figuras poderosas envolvidas permanecem amplamente protegidos.
O conjunto dos arquivos não estabelece, por si só, uma conclusão judicial sobre espionagem. Ainda assim, ao registrar formalmente suspeitas de vínculos com a “inteligência israelita”, ao documentar relações políticas duradouras de alto nível e ao expor preocupações explícitas de contrainteligência dentro do FBI, os documentos tornam incontornável o questionamento que atravessa o caso Epstein desde o início. Se não operava sozinho, e se não era apenas um predador sexual protegido por sua riqueza, que tipo de estrutura de poder permitiu que seus crimes fossem tolerados, negociados e adiados por tanto tempo.
