Porta-aviões USS Gerald Ford é enviado para as Caraíbas. Foto: Reprodução.
Partilhamos material originalmente publicado na imprensa popular e democrática brasileira A Nova Democracia.
A nova rodada de pressões do imperialismo ianque sobre a Venezuela escalou mais um degrau. Depois de ataques letais nas Caraíbas a embarcações acusadas de “narcotráfico” sem qualquer prova; da admissão, pelo próprio Donald Trump, de operações encobertas da CIA em território venezuelano; e da ameaça de operações terrestres em solo latino, a Casa Branca reforçou a presença naval e aeronáutica na região no final de semana do dia 25/10.
Um destróier ianque atracou em Trinidade e Tobago e um porta-aviões foi deslocado para o mar das Caraíbas – movimentos que Caracas qualifica como “escalada hostil” e que governos e imprensa locais também registraram como gesto de intimidação militar explícita. O porta-aviões USS Gerald Ford é o maior do mundo e tem capacidade para 5 mil pessoas e 90 aeronaves.
Ao mesmo tempo, Trump confirmou ter autorizado “operações de ação encoberta” da CIA na Venezuela, sob o pretexto de “sufocar redes de drogas”, acenando até mesmo com ações terrestres no país e na Colômbia. A admissão acendeu alertas no Congresso ianque sobre passar ao largo de controles legais e o risco de uma guerra não declarada por fora de evidências públicas. Para a Venezuela, trata-se de uma violação frontal do direito internacional.
Do lado venezuelano, as respostas buscaram mostrar capacidade de contrainteligência e controle interno. Autoridades locais já haviam anunciado prisões de estrangeiros que, segundo o governo, estavam atuando como mercenários, e detiveram inclusive alguns ianques em operações anteriores – episódios usados por Caracas para evidenciar a sabotagem externa.
O cenário geral também envolve as semi-colônias vizinhas. A escala do destróier em Trinidade e Tobago foi sinal de completa subserviência e apoio logístico à presença militar do EUA, peça de retaguarda para patrulhas e exercícios “de interdição” no arco das Caraíbas. O envio simultâneo de um porta-aviões para as Caraíbas consolida o quadro de pressão permanente sobre as rotas marítimas da Venezuela.
Para o EUA, a retórica “antinarcóticos” funciona como chave mestra, justificando toda agressão, afirmando que miram “redes transnacionais”. A letalidade dos ataques, feitos à revelia do direito e tratados internacionais, já produziu dezenas de mortes sumárias. A própria imprensa ianque registrou cinco embarcações destruídas desde setembro e 27 mortes, pontos que só alimentam o rechaço dos povos oprimidos, especialmente latino-americanos, ao imperialismo. Guerrilhas do maior grupo dissidente das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) alertaram os ianques, neste sábado, que lutarão se a soberania da Colômbia for violada.
O que se vê é a militarização do subcontinente sob o guarda-chuva do “combate às drogas” – expediente antigo que abre espaço para a presença armada e subjugação imperialista. Documentos e audiências do Comando Sul (SOUTHCOM) há anos enumeram “organizações criminosas transnacionais” como vetor para ampliar acordos com governos lacaios, adestramentos e adensamento operacional nas Caraíbas e particularmente na Amazônia.
Luiz Inácio se oferece como ‘mediador’
Enquanto isso, Luiz Inácio corre para se apresentar como “mediador” da flagrante agressão junto ao imperialista Trump, como propôs durante o encontro dos dois na Malásia. O gesto foi vendido como diplomacia “responsável” e diálogo “franco”, vindo do mesmo governo que passou meses sinalizando distanciamento da Venezuela, vetando sua participação nos Brics, não reconhecendo os resultados das eleições no país, e tentando agora posar de bombeiro no incêndio que ajudou a criar.
Em matéria de política interna, durante todo o ano, a retórica “antifacções” e o punitivismo doméstico aproximaram o Planalto das palavras de ordem imperialistas, e a distância protocolar em relação a Caracas foi certamente explorada para isolar o país latino-americano pelos mesmos abutres que hoje exibem destróieres e porta-aviões nas Caraíbas.
Para a Venezuela, está claro que o discurso “antidrogas” e “anticartéis” serve de biombo para estrangular economicamente e cercar militarmente um governo tido como desafeto. Ao mesmo tempo, a admissão de operações da CIA dentro da Venezuela retira qualquer verniz de “mediação possível”.
