Foto: Reprodução/ The Worker.
Este texto é uma tradução não-oficial da matéria publicada pelo jornal revolucionário norte-americano The Worker.
Um imigrante haitiano foi morto por negligência médica por parte do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) enquanto se encontrava sob a sua custódia, no dia 2 de março.
Emmanuel Damas, de 56 anos, foi detido pelo ICE em setembro de 2025. Esteve detido no Centro Correcional de Florence, no centro do Arizona, mesmo depois de o seu pedido de asilo ter sido recusado.
Durante o último mês de vida, Damas queixou-se aos profissionais de saúde de uma infeção dentária cada vez mais dolorosa que acabou por ser fatal. A Damas foi-lhe negada sistematicamente assistência médica, nunca lhe tendo sido permitido consultar um dentista.
Damas é apenas um dos 11 detidos que foram assassinados sob custódia do ICE só este ano, colocando 2026 no caminho de se tornar o ano mais mortífero para os detidos do ICE desde a fundação da agência em 2003. A taxa atual ultrapassa a de 2025, o ano mais mortífero para detidos do ICE de que há registo, durante o qual um total de 32 pessoas foram assassinadas pelo ICE enquanto se encontravam sob a sua custódia.
Jean Wilson Brutus, outro imigrante do Haiti com 41 anos, sofreu uma «morte misteriosa» no final de janeiro, pouco depois da sua detenção em Newark, Nova Jérsia, segundo a sua família.
Nurul Amin Shah Alam, de 56 anos, um homem cego que tinha escapado ao genocídio dos rohingya em Mianmar, foi assassinado pelo Departamento de Segurança Interna (DHS) a 19 de fevereiro. Depois de Alam ter sido libertado sob fiança, a Patrulha de Fronteira deixou-o a oito quilómetros da sua casa, em Buffalo, Nova Iorque, sob temperaturas geladas recorde. Foi encontrado morto à beira da estrada a 24 de fevereiro, após ter sido dado como desaparecido.
Geraldo Lunas Campos, um cubano de 55 anos, foi estrangulado até à morte pelo ICE enquanto se encontrava algemado, no dia 3 de janeiro. Na altura do seu assassinato, Campos encontrava-se detido no centro de detenção Camp East Montana, localizado em Fort Bliss, em El Paso, Texas. O Instituto Médico-Legal de El Paso classificou a sua morte como homicídio.
Os casos de outros detidos que morreram sob custódia do ICE durante 2026 refletem padrões semelhantes de negligência médica, violência e condições degradantes.
Os detidos nos campos de concentração do ICE continuam a relatar condições perigosas devido à superlotação, à construção apressada e à falta de bens de primeira necessidade. A 4 de março, foi confirmado um surto de sarampo nas instalações do Camp East Montana, com pelo menos 14 prisioneiros a contraírem a doença evitável. Outros 112 foram isolados por serem potencialmente infetados.
Em resposta a estas condições torturantes, os detidos rebelaram-se e participaram em greves de fome em centros de detenção por todo o país. Estes incluem o centro de detenção de Dilley, no Texas, o campo «Alligator Alcatraz», na Flórida, o «Louisiana Lockup» na infame prisão de Angola e as instalações de detenção do ICE em Delaney Hall, em Newark, Nova Jérsia.
