Partilhamos uma carta enviada ao e-mail de nossa Redação. Cremos ser uma publicação importante para todo o movimento revolucionário e democrático em Portugal, tendo em vista a necessidade de depurar aquilo o que é genuinamente honesto em seu seio daquilo que é falso e oportunista.
Revolucionários e democratas consequentes convocaram uma manifestação internacionalista no Porto, onde se agitará contra a interferência imperialista, principalmente a ianque, na Venezuela e na América Latina. O ato ocorrerá no dia 3 de Fevereiro, às 18h, com concentração na Praça Dom João I.
A manifestação segue a torrente do Dia Internacional de Apoio ao Povo Venezuelano, proclamado e convocado há algumas semanas pela Liga Anti-Imperialista (LAI), organismo internacional focado na luta e na unidade baseadas em firmes e sólidos princípios anti-imperialistas, que atua em diversas partes do mundo.
Desde o dia 23, as mobilizações para este ato avançam com a emissão de uma declaração conjunta por parte da Ação Anti-Imperialista (AAI), realização de grafittis, colagem de cartazes e distribuição de panfletos em vários pontos da região. Apesar de ser algo modesto frente a todo o trabalho pela frente, tudo isto está a elevar consideravelmente o moral das forças genuinamente anti-imperialistas não só do Norte português, mas de todo o país.
A diferença desta para outras iniciativas é precisamente o carácter e a direção que esta assumirá. Frente a décadas de manifestações e marchas rebaixadas em suas reivindicações e na forma que assumem, obra do mais podre oportunismo da falsa “esquerda” eleitoreira de sempre, é necessário quebrar bloco por bloco a barragem que estes senhores impuseram na maré que é a rebelião das massas operárias e populares, que até pouco tempo atrás careciam de elementos avançados e organizados pela reconstituição do Estado-maior do proletariado português e de seu movimento revolucionário, sob o mando de sua ideologia científica.
Como não poderia deixar de ser, a reação desta falsa “esquerda” não poderia ser outra. No último dia 27 (ontem, terça-feira), grupos cuja direção pertence ao “Partido Comunista Português” (“PCP”) oportunista também marcaram um ato sobre o mesmo tema e dia. Não seria um problema em si haver mais de uma intervenção no mesmo dia. No entanto, o “PCP” marcou seu ato não só no mesmo dia, mas na mesma hora e em um local nas imediações da originalmente planejada, marcada e já divulgada.
Devido às históricas práticas perniciosas e legalistas deste partido, de criar intrigas, maquinações e não se preocupar em nada com as suas informações, foi sabido que essa decisão foi tomada somente para tamponar o ato já marcado e divulgado antes, com direito à seguinte justificativa contra os convocadores: “para os pôr na ordem”. Como são revolucionários internacionalistas nossos hegemonistas de plantão!
A falsa “esquerda” oportunista e eleitoreira que dirige política e ideologicamente o “PCP”, algo que as próprias massas já percebem, já está bem desgastada é extensamente denunciada pelas suas práticas hegemonistas, que tentam tomar de assalto as justas revoltas populares e transformarem em “suas”, onde podem controlar e amansar da forma como queiram para, no fim, transformá-las em currais eleitorais. Quando os revolucionários e anti-imperialistas consequentes tomam a iniciativa, rompendo com o marasmo que estes senhores impõem, expõem sua total bancarrota e mesmo ousam sabotar aqueles que genuinamente querem representar o verdadeiro espírito internacionalista proletário. Já que estão no caminho oposto, é essa a via que seguem: sabotagem.
Não nos é estranha a realização disso. Nos anos 60 e 70, quando o regime fascista comandado por Salazar empenhava-se em imobilizar os revolucionários em Portugal e afogar as guerras de libertação das colónias em um banho de sangue, o “PCP” comandado pelo oportunista-mor Cunhal, produto acabado da liquidação revisionista do autêntico P.C.P. em 1957, fazia seu serviço de guarda para o velho Estado e o fascismo ao denunciar os comunistas portugueses (reunidos no Comité Marxista-Leninista Português/CMLP à altura) à PIDE nas páginas do “Avante”, inclusive com nomes completos, o que levou à prisão, tortura e assassinato de uma gama destes, como o Francisco Martins Rodrigues. Tudo isso para, como início e fim, defender essa falsa democracia, tão lustrada como “nova” por eles naqueles tempos. Perto disto, o que fazem aos revolucionários e anti-imperialistas autênticos em Portugal hoje é apenas cócegas.
Saibam, cabecilhas oportunistas do “PCP”, que tal atitude sabotadora será respondida à altura do verdadeiro ato internacionalista que será feito no Porto. Feito não para dar conta de interesses mesquinhos de uma direção invisível para as massas, que só aparece nos momentos de eleições que sejam ou para frear a combatividade das massas na greve geral de 2025, mas em defesa dos povos oprimidos e da necessidade de, como contribuição, reconstituir o movimento revolucionário, proletário, em nosso país.
Convocamos as massas operárias, mulheres do povo, estudantes, revolucionários, democratas e toda gente honesta e apoiante dos povos oprimidos do mundo a somarem-se no ato contra a intervenção imperialista na Venezuela e na América Latina, que ocorrerá na Praça D. João I (Porto), às 18h do dia 03 de Fevereiro!
