Foto: Reprodução/ The Red Herald.
Partilhamos aqui uma tradução não oficial da matéria presente no jornal revolucionário The Red Herald.
Na noite de 10 para 11 de março, a polícia tentou deter alguém numa scooter em Overvecht; ao fazê-lo, derrubaram-no da scooter e colocaram-no em perigo. Como resultado, cerca de 50 jovens do bairro revoltaram-se; a polícia foi alvo de fogos de artifício e pedras. Quando a polícia requisitou um autocarro para usar contra os jovens, este também foi «completamente destruído», segundo a Transdev.
É notável a coragem e a rapidez com que os jovens conseguiram agir; lutaram sem medo e todos conseguiram fugir após duas horas sem detenções, deixando o Estado com danos consideráveis. Para além dos danos materiais nos veículos da polícia e no autocarro requisitado (pelo qual a polícia terá de pagar uma indemnização), dois agentes ficaram feridos com danos auditivos permanentes.
Isto surge após vários meses de atenção dedicada à forma como a polícia de Utrecht recorre à violência contra muçulmanos e pessoas de origem migrante. De acordo com uma investigação realizada pela OneWorld com base em dados da Controle Alt Delete, verifica-se que as pessoas de origem migrante morreram às mãos da polícia com uma frequência até 11,6 vezes superior, em termos proporcionais, em comparação com as pessoas sem origem migrante. Apesar de pessoas de diferentes grupos étnicos na Holanda cometerem crimes com aproximadamente a mesma frequência e gravidade, os jovens marroquinos e antilhanos-holandeses acabam na prisão 10 a 12 vezes mais frequentemente após serem suspeitos do que os jovens sem antecedentes migratórios.
Segundo o Comissário da Polícia de Utrecht, ocorreram incidentes semelhantes nas últimas semanas em que a polícia foi atacada. Políticos, desde a chamada esquerda, como a Presidente da Câmara de Utrecht, Sharon Dijksma, do PvdA, até ao Ministro da Justiça David van Weel, do VVD, reagiram com indignação, classificando os incidentes de escandalosos e apelando a detenções.
No dia seguinte à revolta, um repórter do canal de propaganda PowNed deslocou-se ao bairro para provocar reações e incitar o ódio contra muçulmanos e pessoas de origem migrante. Foi posteriormente agredido por um dos jovens que tentava filmar, um sinal claro de que os propagandistas da polícia também não são bem-vindos em Overvecht.
A revolta justificada da juventude é um exemplo da classe trabalhadora a defender-se e a resistir às injustiças do Estado. Organizar esta resistência é o próximo passo necessário. Este incidente mais recente mostra que, enquanto a polícia continuar a recorrer à violência racista sem sofrer consequências e enquanto Overvecht continuar a deteriorar-se, as pessoas continuarão a resistir.

