Foto: Reprodução/ Guerra da Ucrânia
Iniciada a 24 de fevereiro de 2022, a invasão russa da Ucrânia transformou o país (já em crise desde a dissolução da URSS social-imperialista) num campo de batalha para uma guerra interimperiaista principalmente entre os ianques e os russos, sem quaisquer ganhos para o povo ucraniano. Agora, quatro anos após a invasão russa e o início da guerra, os imperialistas negociam o seu fim e a partilha do território, sem qualquer participação do dirigente do velho Estado ucraniano, Volodymyr Zelensky, já não útil aos interesses imperialistas.
Desde o início da agressão russa contra a Ucrânia, os dados das Nações Unidas revelam um quadro calamitoso: quase 15.000 ucranianos mortos (incluindo crianças, adultos e idosos) e mais de 24.000 feridos confirmados até meados de setembro de 2025, um retrocesso de anos na capacidade produtiva do país e quase 25% da população lançada na pobreza. Entretanto, o velho Estado ucraniano mergulhou numa retórica cada vez mais subserviente aos interesses do imperialismo, particularmente do imperialismo norte-americano, no projecto de cercar a Rússia, superpotência imperialista atómica, com bases militares da NATO. Zelensky posicionou-se, ao longo de todo o conflito, como um capacho dos interesses imperialistas, pronto a capitular às exigências de quem melhor pagasse, como correctamente assinalou o órgão da imprensa revolucionária brasileira A Nova Democracia:
“Zelensky, como não poderia ser outra forma, busca o melhor preço da capitulação, querendo sentar à mesa com Putin para vender a integridade do território ucraniano em troca de salvar seu medíocre governo lacaio dos imperialistas do ocidente. Para não ser enxotado pelas próprias massas, pronuncia uma ou outra palavra radicalóide, sobre expulsar os russos, que não convence a ninguém.”
O jornal A Nova Democracia assinala ainda, com grande acerto, o papel que as massas devem assumir para libertar a nação, não apenas das agressões imperialistas, mas também do velho Estado reaccionário, lacaio dos ianques:
“Ao fim e ao cabo, a nação ucraniana, para não perecer, deve contar apenas com seus próprios esforços. Sob as consignas de Morte ao invasor russo! e Abaixo o imperialismo ianque, inimigo principal dos povos do mundo!, as forças populares devem conformar seu próprio exército guerrilheiro, unir a maioria do povo ucraniano na frente única revolucionária e rechaçar qualquer jogo do USA-UE; devem combater a tendência à capitulação do governo, e exigir dele que ponha à disposição das massas em armas os recursos estatais em função de expulsar os imperialistas russos. O proletariado e povo ucranianos, retomando a experiência histórica das melhores tradições bolcheviques, devem se armar delas e combater até o fim para mais uma vez derrotar e expulsar o invasor imperialista.“

Inflação global e empobrecimento das massas
A turbulência global nos preços dos alimentos e dos factores de produção agrícola com origem na Ucrânia (um dos maiores produtores agrícolas do continente) reflectiu uma escassez deliberada, afectando sobretudo os estratos mais empobrecidos das massas europeias. Em Portugal, por exemplo, o cabaz alimentar essencial aumentou quase 30% em três anos de conflito. Segundo a DECO Proteste, o mesmo conjunto de 63 produtos essenciais que custava 183,63 € em fevereiro de 2022 passou para 236,51 € em fevereiro de 2025, enquanto o salário mínimo aumentou apenas 23% no mesmo período, agravando a qualidade de vida das massas. Os preços do gás e do petróleo também dispararam após a invasão, alimentando uma vaga inflacionista que reduziu o poder de compra dos povos em Portugal e em toda a Europa. Em resposta, registaram-se protestos em vários países, uma quebra real dos salários e um agravamento da miséria popular, enquanto as classes dominantes empurram o custo da guerra para os que menos podem pagar. Verifica-se aqui um claro agravamento das contradições entre as massas oprimidas e os seus exploradores, aprofundando ainda mais a Crise Geral do Imperialismo que afecta todo o mundo.
O crescimento da diáspora ucraniana
No início de 2025, mais de 6 milhões de refugiados ucranianos estavam registados na Europa; contando com os 571.000 que procuraram abrigo fora do continente, a diáspora global aproxima-se de 7 milhões de massas deslocadas. Outros 3,7 milhões permanecem deslocados no interior da própria Ucrânia. Esta hecatombe demográfica reflecte-se na população: de 43,5 milhões em 2021 para apenas 39 milhões em 2026, um declínio de mais de 4 milhões, em grande parte massas operárias e camponesas deslocadas pelos combates para satisfazer as projecções de poder de Moscovo e Washington, na tentativa de consolidar regimes satélites como o de Kiev.
O imperialismo norte-americano põe termo ao “apoio militar” para consolidar os seus objectivos
Após quatro anos de conflito, estão em curso profundas alterações geopolíticas. No plano militar, a assistência dos EUA à Ucrânia aproxima-se do fim. Um artigo do monopólio de imprensa The Guardian assinalou que, sob uma administração Trump e um Congresso republicano, o pacote de munições de 1,25 mil milhões de dólares aprovado por Biden no final de 2024 está a esgotar-se e é improvável que novos fundos sejam libertados. Ou seja, “a era da ajuda militar dos EUA à Ucrânia está a chegar ao fim.” Isto reforça o cálculo do imperialismo russo: Putin aguarda que as forças ucranianas se esgotem sem fornecimentos norte-americanos. Entretanto, Trump sinaliza um novo “acordo” bilateral com Putin, sem qualquer consulta ao já descartado capacho Zelensky. Os termos reais do cessar-fogo, tal como todo o conflito desde o início, interessam apenas às grandes potências. Trump optou por pressionar Zelensky e fazer concessões unilaterais à Rússia em vez de sustentar o esforço ucraniano, e agora as potências imperialistas poderão lucrar milhares de milhões com a “reconstrução” do país, escravizando-o através da dívida e pondo termo ao conflito antes que uma escalada conduza a uma nova guerra inter-imperialista.

Sobre isto, o jornal A Nova Democracia volta a oferecer uma análise muito precisa:
“As recentes declarações dos caudilhos militares ianques sobre a Ucrânia, somadas ao papel de Zelensky reduzido ao mísero fantoche, antes palhaço (este já o era de maneira mais digna profissionalmente antes de ser um títere ocidental) e a necessidade de Trump por conter a China em Taiwan, sua batalha principal, impõem um acordo de capitulação humilhante à Ucrânia: Passar para as mãos dos novos tsares atômicos, quase metade de seu território. Selado o acordo entre as partes (EUA e Rússia), Zelensky, o peão no tabuleiro, será imprestável para os imperialistas – já o era para o seu povo. No apagar das luzes, Putin lança sobre a Ucrânia – num recado muito claro para toda Europa ocidental – um míssil com capacidade de transportar ogivas nucleares, provavelmente cedidos pelo Irã e, ato contínuo, assina uma acordo de cooperação militar com a Coreia do Norte. Voltamos à chantagem nuclear“.
