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Nas últimas semanas, André Ventura — chefete do partido ultrarreacionário de extrema-direita Chega — afirmou em entrevista ao monopólio mediático SIC que Portugal necessitava de “três salazares” para “pôr Portugal em ordem”. Não tardou nem um pouco para se colocar na posição de “Salazar”, equiparando-se ao genocida títere do regime fascista do Estado Novo.
Mais tarde, em uma postagem nas suas redes sociais, o vice-presidente do Chega, o tão podrido quanto Pedro Frazão, voltou a fazer a comparação, afirmando que “um Ventura vale mais que três ou quatro Salazares”.
Alguns dias depois, repercutiram através dos monopólios de imprensa e em mídias independentes progressistas imagens de cartazes publicitários do Chega, a estampar o André Ventura, com os escritos de “Isto aqui não é o Bangladesh” e “Os ciganos têm de cumprir a lei”, em clara provocação racista e chauvinista contra imigrantes e os romani/ciganos.
As massas populares, em retaliação a tais impropérios, atacaram diversos desses cartazes, realizando pichações que cobriam o rosto do fascista Ventura e os dizeres chauvinistas. Não é a primeira vez cartazes deste tipo são atacados por elas. Há dois dias, com o discurso típico da extrema-direita covarde e chorona, Pedro Frazão veio a público em seus perfis vomitar sua ideologia reacionária de forma demagógica, autorando a ação a “bandidos que vivem às custas do sistema” jactando-se como defensor da “democracia e da liberdade de expressão”.

Tanto as declarações quanto os cartazes são parte do projeto eleitoreiro da extrema-direita que, cupulada no Chega, “degladia-se” com outras frações partidárias da grande burguesia e do latifúndio portugueses pelo controlo do velho Estado e de suas instituições podridas, visando a farsa eleitoral presidencial de 2026.
A mentira por detrás do legado de Salazar
A “justificação” de Ventura a estas declarações é de que Salazar acabaria com a corrupção em Portugal: irónico, considerando que Salazar foi um dos maiores corruptos da história de Portugal; distribuía entre os seus chegados (setores fascistas da grande burguesia portuguesa ligados ao nazifascismo e, depois, ao imperialismo alemão, francês e ianque) o monopólio industrial, debaixo de uma lei chamada “condicionamento industrial”.
António de Oliveira Salazar foi a principal figura por trás do “Estado Novo”, regime fascista que comandou a República Portuguesa de 1933 à 1974. O regime fascista português foi um dos mais brutais da história do país: nele, o proletariado e o povo foram jogados à total miséria, com o dito regime a fazer de tudo para propositalmente manter o povo pobre e com fome, numa tentativa fúitl e desesperada de manter as massas dóceis e obedientes.
O regime fascista de 1933 ainda arrastou as massas portuguesas para guerras de rapina, onde este tentava lutar contra as ondas de progresso da história e manter as suas colónias em África e Ásia, nas guerras de libertação nacional que ocorreram de 1961 à 1974. Em um esforço heróico dos movimentos de libertação de Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, o regime fascista sofreu uma derrota política e militar humilhante, apoiada pelos avanços contemporâneos do proletariado e das massas populares portuguesas nos combates armados das massas portuguesas nos anos 60 e, por fim, nos grandes levantes populares que sacudiram o país nos anos 70.
Pedro Frazão, a demagogia costumeira e os choramingos da extrema-direita
Os discursos de Pedro Frazão de defesa de Ventura/Chega não são frutos do acaso, mas sim a defesa franca do programa de sectores da grande burguesia e do latifúndio portugueses, atendendo aos interesses seus e de seus amos imperialistas.
O imperialismo vive uma profunda crise de decomposição hoje, estourada desde 2008 com expressões em todo o mundo, onde se debate por manter a sua sobrevida. Uma das formas que este recorre é a derrubada progressiva e gradual, por meio do regime democrático liberal, dos direitos do povo anteriormente arrancados pelo suor e sangue do povo trabalhador. As massas populares, empurradas para a miséria, se atiram à luta para defendê-los e retomá-los, não sem enfrentar bravamente a repressão dos vários governos de turno que representam as classes dominantes e seus mais variados sectores.
A extrema-direita, representando esses sectores fascistas e ultrarreacionários, despeja todo tipo de lixo ideológico nas massas populares, mobilizando a sua vultuosa parafernália (instituições, quantias absurdas de dinheiro, média monopolista, grupelhos extraparlamentares e por aí vai). Todo esse projeto tem uma serventia que lhes calha bem: incentivar e generalizar a divisão das massas.
Essa divisão antagónica é alimentada para colocar as massas populares umas contra as outras, apoiando-se no que há de mais atrasado na sociedade, de forma a permitir o golpe em seus direitos paulatinamente e desviar as atenções de quem são os reais causadores dos problemas: a grande burguesia e o latifúndio portugueses, representantes dos interesses imperialistas no país. Este recurso é largamente usado pelas classes dominantes, não só na história de Portugal, pois é uma ferramenta que serve a conter o crescente desenvolvimento do protesto popular do norte às ilhas, que acompanha a tendência de vários países do mundo (como em França, Itália, Brasil, Peru, Indonésia, EUA, etc.).
É preciso aquecer a memória de Frazão e de Ventura. Quando da época da farsa eleitoral legislativa de 2024, o monopólio de imprensa expôs elementos do seu partido, como Nuno Pardal Ribeiro, que tinha pesadas acusações de prostituição de menores; ou de Miguel Arruda, acusado de furtar malas em aeroportos. São somente poucos exemplos: a realidade mostra que há muito mais destes, o que indica quem de fato são os bandidos e canalhas da sociedade portuguesa e onde eles se aglomeram. Tirar o seu “da reta” para culpar as massas é muito mais fácil, não é, sr. Frazão?

Neste aspeto, o que se vê no discurso de Frazão e de qualquer ultrarreacionário de quinta categoria é a mais pura demagogia. Afinal, os próprios são os bandidos que vivem às custas do suor, trabalho e sangue do povo do país. Defendem a “democracia”, claro, mas a sua, a que se vive hoje em Portugal: a de grandes burgueses e latifundiários, sevriçais do imperialismo.
Há uma tentativa de parecer “radical” no discurso, visto que a sua “contrapartida”, a falsa “esquerda” oportunista (PS, “PCP”, BE, PCTP/MRPP, Livre e demais grupos extra-parlamentares), tem falhado em aparentar sê-lo há muito tempo: ilude e engana as massas, amordaçando e contendo o seu protesto popular através da desmobilização, contenção, negociações oportunistas com o velho Estado que nada melhoraram a vida das massas, denúncia a revolucionários e democratas, bem como a redução da “luta” a votos no parlamento (onde está toda essa gentalha do próprio Chega, por exemplo). No final, na prática, são tão somente farinha do mesmo saco.
Que fazer?
Como sempre acontece, sempre aconteceu e sempre acontecerá até o dia da vitória final das massas, os fascistas perderam e falharam miseravelmente. Durante os grandes levantes populares de 1974, o povo português mostrou o quão patéticos realmente são os fascistas, que tiveram seu regime destroçado pelas massas, que procuravam lutar pela construção do socialismo no país, sendo negado tal objectivo pela interferência imperialista (principalmente dos EUA) e social-imperialista (da URSS) e de oportunistas locais (como o PS e o “PCP”).
Esta clareza, esta falta de vergonha em assumir o fascismo com todas as palavras por parte de grupos ultrareacionarios como o Chega e o Ergue-te (este último agora banido pelo velho Estado e suas instituições, não pela presença de membros abertamente nazistas em suas fileiras ou suas declarações ultrarreacionárias e racistas, mas pela falha na apresentação do relatório de contas), resultados da crescente onda de fascismo que assola toda a Europa, patrocinada e alavancada pelos monópolios dos grandes média, levando este grupo a notar que as consequências de ações como essas não só são inexistentes, como também muitas vezes positivas.
Estes grupos alimentam-se de polémicas, e quanto mais absurdos os seus membros proferirem, quanto mais os seus membros forem revelados como pedófilos e violadores, quanto mais o Chega — que se diz um partido conservador — selecionar modelos pornográficos como candidatos às eleições, mais o partido cria polémicas, mais ele é falado, mais ele aparece no monópolio dos grandes médias e mais André Ventura é convidado para fazer o seu teatrinho e realizar propaganda fascista em pleno horário nobre disfarçada de “entrevistas”.
Com isso, também aumenta a soberba e violência de grupos apoiados pelo Chega, como o grupo neonazista 1143, que cada vez mais violentam imigrantes sob a legitimação do velho Estado para com este tipo de discurso, a fazer as massas portuguesas indiferentes às palavras e medidas antipovo do Chega e dos seus grupelhos.
Os chauvinistas e fascistas do Chega têm a oportunidade de afirmar o seu projeto e posição no cenário português graças à crise que vive o oportunismo da falsa “esquerda” oportunista e os sectores demoliberais da grande burguesia, representada por partidos como o “PS”. É evidente que partidos como o “PCP” e o Bloco de Esquerda são intimidados pela recente crescente da extrema-direita, à exemplo do que aconteceu durante as votações parlamentares para a agora vigente lei da proibição das burcas, onde estes somente limitar-se a votar contra, como se isso valesse de algo. Sequer tentaram lutar pelas mesmas massas que votaram neles durante as eleições parlamentares burguesas, escancarando o beco sem saída que tudo isso é.
Entretanto, é bom que estes vermes não se enganem: da mesma forma que foram derrotados pelas massas nos grandes levantes populares de 1974 e nas guerras de libertação nacional das ex-colónias, serão derrotados novamente. As massas populares, ainda que de forma dispersa, conseguem ver a falcatrua de André Ventura e a sua trupe, e não serão enganadas por um charlatão aspirante à Salazar. É preciso, para os revolucionários e democratas portugueses, mobilizar audazmente as massas, canalizar esse ódio contra o reacionarismo na luta independente, classista e combativa, e organizar para os combates vindouros.
Por mais que estes grupos fascistas tentem desesperadamente nadar contra a maré da história e do progresso, não resultará. No fim, todos estes fascistas serão colocados em seu devido lugar: o lixo da história.
