Foto: Reprodução
Partilhamos republicação de um antigo texto, publicado no portal revolucionário português Servir ao Povo, sobre Maria dos Santos Machado, a gloriosa e honrosa Camarada Rubina, quadro do autêntico Partido Comunista Português (P.C.P.) que entregou a vida pelo Partido e pela Revolução Portuguesa. No dia 25 de Fevereiro, completaram-se 136 anos de seu natalício, ao qual a republicação, com algumas alterações frente ao texto original, é uma homenagem.
A 25 de fevereiro de 1890, na Vila da Calheta, nos Açores, nascia a inquebrantável Maria dos Santos Machado. Era filha de Bartolomeu Silveira Lucas Machado e de Maria dos Santos Teixeira, casal açoriano abastado, o que permitiu a chance de qualificar-se como professora primária na ilha de São Jorge, onde viveu até os anos 30.
Portugal convulsionava-se enormemente nestes períodos. A classe operária e o povo em geral, que se desenvolviam tenazmente, educava-se na e elevava brilhantemente a luta pelos seus direitos democráticos fundamentais e também pelo seu poder político—forjando assim os seus elementos mais avançados que, em 1921, fundariam o Partido Comunista Português (P.C.P.)—, mobilizando grande parte das massas. Maria, com um atencioso olhar às demandas elementares do povo, lutou por desenvolver seu trabalho e consciência política enquanto professora primária. Frente à falta de material pedagógico e ao abandono dos filhos e filhas da classe e das massas causadas pela miséria e pela exploração, brigou por abrir a primeira biblioteca pública de sua vila—garantindo o acesso geral—e aplicar o método de Escola Ativa, lutando pela garantia de participação dos pequenos na sala de aula. No entanto, Maria sabia que só isso não bastava.
Nos anos 1930, visando ampliar os horizontes, Maria vai a Lisboa para lecionar na Escola primária nº 97. Lá, em contacto direto com as massas combativas em luta contra o regime fascista de Gomes da Costa e de Salazar, logo se aproxima e apoia o Socorro Vermelho Internacional, organismo da Internacional Comunista de apoio social aos povos, e logo mais, devido ao seu ardor revolucionário e por provar-se uma dirigente na luta de classes, passa a ser parte do Partido Comunista Português (P.C.P.). No Partido, atua como destacada militante no trabalho de massas, lutando por mobilizá-las, politizá-las e organizá-las para combater sob a direção proletária—condição honrosa que lhe rendeu anos nas prisões do Estado português visto a tremedura que esta companheira causava no regime, sendo a primeira em 1936
Como militante do P.C.P., foi responsável pelos trabalhos de fundação da Associação Feminina Portuguesa para Paz (AFPP) em 1936 , que brigou por dirigir sob direção do Partido as mulheres do povo para o combate ao fascismo rampante no mundo em geral e em Portugal em particular. Escrevera no jornal Avante!, à época um jornal revolucionário e expressão mais avançada do proletariado em nosso país, sob o nome de “Rubina”—que a acompanhou por toda a vida de quadro do Partido—, convocando as mulheres proletárias e do povo a despertarem a sua fúria revolucionária no combate ao regime fascista e lutar pelo poder junto aos seus irmãos de classe. A repressão já a vigiava por sua atividade revolucionária no P.C.P.; sob o pretexto fascista de “combate aos estrangeirismos”—utilizando-se de seu magistério na Liga dos Esperantistas Ocidentais, da qual era apoiadora—, sofre sua primeira prisão no segundo semestre de 1936, sendo solta em dezembro. Em 1937, viaja para os Açores sob intensa vigilância da repressão fascista, onde verá a família pela última vez.
Em liberdade, sob a direção do Partido funda uma biblioteca de livre acesso em Algés e uma escola para os filhos e filhas dos operários ferroviários na freguesia do Campolide, de onde ministra a educação política da classe operária e das massas locais, mobilizando-as pelos seus direitos democráticos. Por conta da iniciativa dirigida pelo Partido e pelo seu carácter abertamente popular, sendo um calo nos pés da reação fascista, ambos os projetos são encerrados pela polícia política e Maria perde definitivamente o direito de ensinar, mesmo que gratuitamente; algo que jamais parou de fazer, desafiando os ditames do velho Estado português, de grandes burgueses e latifundiários. Cada vez mais decidida pelo marxismo-leninismo, é responsável pela adesão de diversos militantes ao Partido, a exemplo de Vítor Rafael Ferreira, que conduzia sob intensa repressão do Estado português a comunicação interna entre dirigentes do Partido na intensa clandestinidade, trabalho o qual fez sem voltar em sua escolha.
A 1938, foi escalada pelo Comité Central do Partido para ser sua delegada em trabalhos em conjunto com o PC da França e com o PC da Espanha, atravessando a fronteira clandestinamente e se dirigindo a Paris para reestabelecer os contactos entre os dirigentes comunistas exilados e a Frente Popular Portuguesa e o Bloco Académico Antifascista, trabalho que favoreceu muito o crescimento do nascente movimento de massas sob direção dos comunistas.
Retornou de Paris a 1942 na mesma leva de outros quadros dirigida por Júlio Fogaça, já desfraldando a necessidade da reorganização do Partido Comunista, que havia sido diluído pelo predomínio das posições oportunistas de direita e pela infiltração policial. Imediatamente após seu retorno, se torna um quadro clandestino do P.C.P., dirigindo a tipografia do Avante!, tarefa a qual assumiu rigorosa e diligentemente, sem jamais titubear de sua decisão, por 4 anos e três meses consecutivos (81 edições!), até a sua segunda prisão pela gendarmeria do velho Estado português. A 4 de novembro de 1945, em um assalto da Guarda Nacional Republicana (GNR) à tipografia do Avante! em Alvaiázere, decidiu manter-se no local para queimar o material clandestino e garantir fuga segura de outros dois de seus camaradas—José Augusto da Silva Martins e Máximo Joaquim Justino Alves—passando-se por sua tia e mãe, respetivamente, mantendo-se altiva e não se curvando à reação em nenhum instante. Levada ao posto da GNR ao encontro da PIDE, passou 3 dias seguidos denunciando aos soldados os crimes do regime fascista de Salazar e, mesmo sob 4 horas de bárbara tortura conduzida pela reação e sob subsequente prisão de 22 meses, por onde passou por mais torturas físicas e psicológicas em regime de solitária, não deu uma única palavra sequer sobre seus camaradas e seu Partido, com exemplar e inquebrantável espírito comunista que foi saudado no encerramento do II Congresso do P.C.P., a 1946.
Sua condição de saúde, deteriorada, a obrigou a sair da clandestinidade, mas por sua firme decisão de lutar por mobilizar, politizar, organizar e armar as massas sob direção do glorioso P.C.P. manteve-se como seu militante até o final de sua heroica vida, dando tudo de si, inclusive vertendo seu sangue pelo Partido e pela Revolução. Enquanto lutava por manter-se com auxílio do Partido e com seu próprio trabalho—o qual fez por não querer ser um fardo para seus camaradas—dando aulas clandestinamente e atuando como governanta, vivia com as massas tal como os peixes vivem no mar, brigando por dirigi-las nas lutas não só pelos seus direitos democráticos fundamentais, mas principalmente pelo poder político, educando o proletariado e o povo em seus discursos e classes.
Por conta de sua abnegação e dedicação ao trabalho comunista, Maria foi presa mais uma vez em dezembro de 1953 junta à toda a família que a hospedava; por estar de perna partida, foi conduzida em uma padiola, da qual denunciou para todas as massas observantes os crimes do Estado português contra o povo e os antifascistas. Mais uma vez sob tortura, manterá sua altividade e segredo revolucionário, jamais delatando seus camaradas e companheiros, sendo solta em janeiro de 1954. Poucos meses à frente, em abril será presa pela 4ª vez pela PIDE por sua luta pela libertação dos presos políticos. Lá, mantendo seu espírito, não se curva aos cães da reação mesmo diante do isolamento, chegando a mesmo atacar o diretor do complexo prisional de Caxias. De lá sairá só a outubro de 1956, com 66 anos.
Por conta da impossibilidade de manter-se num trabalho devido aos banimentos por parte do Estado fascista português e à sua saúde irremediavelmente comprometida, passa a viver num quarto alugado pelo P.C.P. desde sua soltura da cadeia, da qual é despejada pela senhoria por conta das pressões da PIDE contra ela, a ameaçando de represália. Mesmo sob receita de repouso absoluto pelos médicos, Maria brigou junto a seus camaradas, beirando à exaustão, por alocá-la frente às investidas criminosas do Estado português, investidas que obrigaram-na a dormir em aziganhas e becos da Amadora. Pressentindo sua liquidação material, escreve um testamento onde deixa todos os seus bens para o P.C.P., dando de forma integral mesmo diante da morte sua vida pelo Partido e pela Revolução. Convicta de continuar lutando por sua vida a serviço do P.C.P. e da Revolução Proletária Mundial, a 4 de outubro de 1958, com 68 anos, a companheira Maria, que caminhava nas ruas da Amadora à procura de alojamento para pernoitar, sofreu um ataque cardíaco fulminante, o qual fez o seu coração bater pela última vez. Tamanho o medo que o imperialismo e a reação tinha da companheira, seu funeral no Cemitério do Lumiar foi agressivamente vigiado pela PIDE, visando sem sucesso desmoralizá-la e a seu Partido.
Atualmente, os revisionistas e oportunistas agrupados dentro e fora do que é falsamente chamado de “PCP” se utilizam da vida e legado não só da companheira Maria, mas de muitas outras, para justificarem a sua negação objetiva da senda revolucionária, o qual o glorioso P.C.P. lutou por assimilar, em favor à “acumulação fria de forças”, ao pacifismo e ao cretinismo parlamentar, pululando nas fantochadas eleitorais e no carcomido parlamento português em detrimento da luta independente, classista e combativa da classe operária e do povo e de sua mobilização, politização e organização para tomar o poder político. Ao usarem a companheira Rubina, que (literalmente!) em absoluto desinteresse entregou a sua vida à causa em meio aos mais tenazes combates por assumir a ideologia científica do proletariado internacional—à época o marxismo-leninismo e hoje o marxismo-leninismo-maoismo, principalmente maoismo, aportes de validez universal do Presidente Gonzalo—, não podem fazer nada mais senão que exporem a contradição entre o caminho revolucionário dela e o caminho oportunista seguido pelo “PCP” e várias outras organizações e sectos que, se julgando diferentes em essência, não são nada que não a mesma coisa apresentada de diferentes formas.
Maria dos Santos Machado é sem sombra de dúvidas uma grande heroína do proletariado e do povo, não só português mas de todo o mundo, tendo lutado pela Revolução Proletária Mundial ao contribuir pela construção do Partido e da Revolução Portuguesa, do Socialismo e do Comunismo. Seu amor pelo proletariado internacional e pelos povos de todo o mundo, materializados em todo o seu legado de comunista convicta, a fez escolher o sacrifício típico das massas mais fundas e profundas de entregar sua vida pelo Partido e pela Revolução. Longe de uma vida de agonias—como faz querer parecer toda sorte de pessimismo e derrotismo—, é uma de abnegação e decisão pela nobre causa comunista, revolucionária convicta. É esse o exemplo que os melhores filhos e filhas da classe operária e do povo português, que hoje brigam por sua direção proletária para mobilizar, politizar e organizar o proletariado e massas gerais em Portugal, lutam por seguir. Seu exemplo está com estes, seguramente. Segue viva em nossas mentes e corações e seu sacrifício jamais terá sido em vão.
Companheira Maria dos Santos Machado, presente na luta!
Viva a inolvidável Maria dos Santos Machado (Rubina)!

