No passado dia 17 de Janeiro de 2026, realizou-se em Lisboa, na livraria Tigre de Papel (Rua de Arroios, 25), um evento dedicado à divulgação e ao apoio da Revolução Agrária em curso no Brasil. A iniciativa, promovida pela Ação Anti-Imperialista (AAI) em conjunto com o Comité de Apoio à Nova Aurora em Lisboa, reuniu militantes, apoiantes, simpatizantes e pessoas interessadas em conhecer a luta camponesa no Brasil. A actividade inseriu-se num esforço mais amplo de solidariedade internacionalista com as massas rurais pobres que se levantam contra o latifúndio, o imperialismo e as estruturas semifeudais ainda dominantes no campo brasileiro.
Durante o encontro, representantes das organizações presentes abordaram as raízes históricas da questão agrária no Brasil, destacando o papel central do latifúndio herdado do colonialismo português e perpetuado ao longo dos séculos pelas classes dominantes locais, sempre associadas aos interesses imperialistas. Foi sublinhado como esta estrutura concentrou a terra nas mãos de uma minoria, condenando milhões de camponeses à miséria, à violência e à expulsão permanente dos seus territórios.

As intervenções traçaram um panorama da resistência camponesa no Brasil, desde as primeiras revoltas rurais até ao desenvolvimento do movimento comunista e da luta organizada no campo. Foi também prestada homenagem ao revolucionário luso-brasileiro Alípio de Freitas, falecido em 2017, que dedicou grande parte da sua vida, no Brasil, ao avanço da luta contra o latifúndio e pela terra para quem nela vive e trabalha. Deu-se especial ênfase à Revolução Agrária enquanto parte inseparável da revolução democrática e popular, protagonizada pelas massas camponesas pobres, trabalhadores rurais, povos indígenas e comunidades tradicionais, que enfrentam não apenas os grandes proprietários de terra, mas também o velho Estado brasileiro e os seus aparelhos repressivos.
Entre os temas abordados estiveram ainda a organização das massas no campo, a construção de formas embrionárias de Novo Poder nas chamadas Áreas Revolucionárias, a luta pela terra e pela autodefesa, bem como o papel dirigente dos sectores revolucionários que impulsionam este processo em condições extremamente adversas. Os participantes destacaram o carácter prolongado da luta agrária no Brasil, que se desenvolve em contexto de forte repressão, mas que se fortalece a partir da iniciativa consciente e organizada das próprias massas.

Foi igualmente denunciado o recrudescimento da violência por parte do velho Estado, em conluio com o latifúndio e sob orientação do imperialismo, como resposta ao avanço da Revolução Agrária e ao crescimento da Liga dos Camponeses Pobres (LCP). Esta ofensiva manifesta-se através de despejos forçados, assassinatos de lideranças camponesas, criminalização da luta social e militarização reaccionária do campo. Ainda assim, foi reafirmado que a revolução avança, sustentada pela confiança das massas nas suas próprias forças e na justeza da sua luta histórica pela terra e pela libertação.
Durante o debate, foi também salientado o boicote às eleições burguesas — realizadas no dia seguinte à apresentação — como tarefa que todo revolucionário deve assumir em protesto contra o velho Estado e as suas instituições apodrecidas, alheias aos interesses genuínos das massas.

O evento contou com a presença de estudantes, trabalhadores e jovens interessados em compreender a realidade do campesinato brasileiro e latino-americano, bem como as lições que estes processos podem oferecer à luta de classes em Portugal, além do combate à propaganda reaccionária difundida pelos grandes meios de comunicação social. Ao longo das intervenções, destacou-se a importância do internacionalismo proletário e da solidariedade entre os povos, assim como a necessidade de romper o silêncio imposto pelo imperialismo, em particular o imperialismo ianque, sobre as lutas revolucionárias no mundo e na América Latina.
A actividade encerrou com um apelo à difusão da verdade sobre a Revolução Agrária e a Liga dos Camponeses Pobres, bem como ao fortalecimento dos laços entre todos aqueles que, em diferentes partes do mundo, se levantam contra a exploração, a opressão e a dominação imperialista.


