Foto: Reprodução/ Bombardeios no Afeganistão.
Ao dia 27 de fevereiro (sexta-feira), o velho Estado paquistanês declarou oficialmente uma “guerra aberta” contra o Afeganistão, após uma série de agressões e ataques aéreos que elevaram as tensões fronteiriças ao patamar de conflito armado direto, abrindo um novo foco de instabilidade no Sul e Centro da Ásia.
As tensões começaram a aumentar no dia 21 de fevereiro, quando a Força Aérea do Paquistão lançou ofensivas contra alvos em várias províncias afegãs, incluindo Nangarhar, Paktika e Khost, alegando que pretendia atingir principalmente campos do grupo insurgente Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP) e de facções do Estado Islâmico no Khorasan, que, segundo o velho Estado paquistanês, usavam território afegão como refúgio para lançar ataques contra alvos paquistaneses. Relatórios da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA) e dos órgãos do velho Estado afegão indicam, entretanto, que os ataques resultaram na morte de 32 pessoas e feriram outras 33, em um ataque que, para todos os fins, não fez qualquer diferenciação entre alvos militares e civis.
No dia 27 de fevereiro, o ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, declarou que a paciência de Islamabad havia “chegado ao limite” e que o país estava em guerra aberta com o Afeganistão, após os bombardeios de Cabul, Kandahar e outras regiões afegãs. Cabul classificou os ataques como uma violação flagrante de sua soberania, e as autoridades afegãs afirmaram ter infligido pesadas baixas a forças paquistanesas em retaliação, inclusive com ataques a alvos militares.
No plano internacional, o conflito atraiu quase imediatamente a atenção das potências imperialistas, cujo real grau de envolvimento nos eventos que precederam a escalada ainda não é totalmente verificável. O imperialismo ianque não tardou em declarar apoio público ao velho Estado paquistanês, revelando os interesses do regime norte-americano na instabilidade da região, de modo a prejudicar a influência dos social-imperialistas chineses na área e potencialmente fomentar uma nova guerra por procuração contra outras potências imperialistas. O social-imperialismo chinês, cujos interesses no Paquistão têm crescido exponencialmente, buscou mediar os conflitos, expressando pouco interesse em instabilidades e no envolvimento de nações imperialistas estrangeiras na sua zona de influência. Este cenário evidencia mais uma escalada nas tensões entre os imperialistas ianques e os social-imperialistas chineses, bem como em todos os conflitos que emanam desta relação.
As massas populares que vivem ao longo da fronteira, que certamente serão as principais vítimas de qualquer conflito ou guerra no local, enfrentam uma situação de medo contínuo e insegurança crescente. Moradores de localidades fronteiriças relataram noites sem dormir devido aos explosivos e tiroteios, inclusive em cidades como Landi Kotal, no noroeste do Paquistão, onde disseram ter feito suas refeições sob o som de bombas e confrontos que continuaram até o amanhecer, permanecendo tensos mesmo quando as trocas de tiros diminuíam temporariamente.
