Foto: Reprodução/ AND.
Partilhamos matéria publicada na imprensa popular e democrática brasileira A Nova Democracia, com alterações linguísticas para facilitar a leitura.
O Novo Exército Republicano Irlandês (Novo IRA) reivindicou a autoria de um contundente ataque contra uma delegacia do chamado Serviço Policial da Irlanda do Norte (PSNI) em Lurgan, localizada no Condado de Armagh, província de Ulster. A ação consistiu no transporte de um dispositivo explosivo até o coração de uma base fortemente protegida das forças de repressão britânicas. O artefato foi estacionado estrategicamente atrás de um muro de contenção após atravessar postos de segurança.
Em comunicado divulgado para marcar o aniversário da histórica Revolta da Páscoa de 1916, o Novo IRA, que se autodenomina simplesmente Exército Republicano Irlandês, afirmou categoricamente que permanece “comprometido com o caminho da Revolução”. Os anti-imperialistas irlandeses afirmaram que a operação contra uma pizzaria local, que teve um de seus veículos utilizados para o transporte do explosivo, ocorreu porque a empresa é uma fornecedora das forças armadas da Coroa britânica, reforçando que qualquer colaboração com o ocupante é um alvo legítimo.
A organização ressaltou que aproveitou o período recente para se modernizar e recrutar. “Enquanto o governo britânico mantiver sua presença na Irlanda, o IRA reserva-se o direito de usar todos os meios à sua disposição para pôr fim a essa presença”, dizia a nota, que encerrava com o aviso: “Que não haja dúvidas de que não fomos embora”.
Esta ofensiva é mais um capítulo da secular luta do povo irlandês pela sua completa libertação contra o domínio da Inglaterra. A nação irlandesa jamais aceitou o jugo estrangeiro, inicialmente subjugada pelo colonialismo britânico e hoje ocupada pelo imperialismo inglês. O ataque em Lurgan demonstra que a chama acesa no Levante de 1916 e temperada pelo sangue dos patriotas na Guerra pela Independência contra os sanguinários Black and Tans continua a arder nos corações irlandeses.
O Novo IRA, fruto de uma fusão realizada em 2012, afirmou ter aproveitado o período recente para se adaptar e fortalecer sua inteligência. “Nossa inteligência é aguçada e nosso alcance é amplo”, advertiu a organização. O grupo deixou claro que, embora não “busque o conflito” por diletantismo, “não se furtará ao seu dever” revolucionário de expulsar o ocupante.
Irlanda em situação de colónia persistente
A atual fase da luta armada na Irlanda está inserida em um contexto de ressurgimento da combatividade anti-imperialista na Europa, inclusive da luta armada de libertação. Grupos como o Novo IRA representam a vanguarda que se nega a aceitar o destino imposto pelo capital de Londres e pelas diretrizes de Washington.
Conforme denunciado pela Ação Anti-Imperialista da Irlanda (AAI) e pelos Republicanos Socialistas Irlandeses (RSI) em 2020, seis condados permanecem sob ocupação militar direta do imperialismo britânico. Essa presença serve para garantir o controle semicolonial sobre o chamado “Estado Livre” dos 26 condados ao sul, onde uma classe de capitalistas locais gerencia a ilha em benefício da Grã-Bretanha, da União Europeia e do imperialismo ianque. Os revolucionários afirmam que a Inglaterra e o Estados Unidos não têm qualquer direito de estar na Irlanda, e a única atitude honrosa é a resistência inabalável da classe operária.
O Acordo da Sexta-Feira Santa de 1998, exaltado pelo velho Estado e por figuras do oportunismo, é visto pelos setores mais avançados do republicanismo como um pacto de capitulação que tentou transformar patriotas em criminosos. Durante décadas, o Estado britânico tentou rotular a luta de libertação nacional como “terrorismo” ou criminalidade comum, buscando despojar os prisioneiros republicanos de seu caráter político. Contudo, a resistência heroica nas masmorras, evidenciada pelos protestos dos cobertores e pelas greves de fome de 1981, onde dez irlandeses preferiram morrer a aceitar o rótulo de criminosos, desmascarou a farsa britânica perante as massas de todo o mundo.
Cresce o movimento revolucionário na Europa
Enquanto a luta armada fustiga o imperialismo britânico, no continente europeu, o desenvolvimento das condições subjetivas avança por saltos. Entre os dias 3 e 6 de abril, ocorreu o histórico 12º Congresso para a Reconstituição da Juventude Comunista na França. A Federação de Jovens Comunistas da França (FJCF), fundada em 1920 e dissolvida em 1945, foi oficialmente reconstituída em um evento que reuniu centenas de militantes. Após intensos debates sobre a Linha Política Geral e os Estatutos, a unidade foi alcançada, marcando o surgimento de uma nova geração de revolucionários.
Paralelamente a esses movimentos, um golpe retumbante foi desferido contra o sistema global de opressão com a fundação da Liga Anti-imperialista Internacional (LAI). O I Congresso da LAI reuniu mais de 150 delegados de 14 países, representando 50 organizações de todos os continentes. Organizações de países imperialistas como França, Áustria, Alemanha, Espanha, Noruega, Finlândia, Suécia e Dinamarca somaram-se ao chamado.
O crescimento dessas organizações é o resultado direto da crise do sistema imperialista e do avanço da organização combativa frente ao acirramento da luta de classes nos países centrais, que, aliado à resistência heroica nas semicolónias, cria uma situação revolucionária particularmente aguda em escala global. O cenário atual, marcado pela ofensiva do Novo IRA, pela estruturação da LAI, pela conformação de novos movimentos combativos e unificação do Movimento Comunista Internacional (MCI), sinaliza que o período de relativa passividade nos centros imperialistas chegou ao fim.
