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O velho Estado português alegou ter dado luz verde ao imperialismo ianque para utilizar a Base das Lajes (Açores) em futuras ações militares contra o Médio Oriente. A confirmação partiu do próprio ministro dos Negócios Estrangeiros, o reacionário Paulo Rangel (PSD), que admitiu ter sido concedida uma “autorização condicional” aos Estados Unidos, ainda que apenas após a comunicação de que uma operação militar já havia sido realizada.
O governo de turno alega que nenhum meio militar envolvido na operação norte-americana partiu dos Açores e sublinha que todas as movimentações anteriores estavam cobertas pelo regime geral previsto no Decreto-Lei 2/2017, que, na prática, estabelece a submissão de Portugal a dezenas de países que queiram realizar suas movimentações militares, sobretudo os EUA (a menos que o velho Estado se oponha num prazo de 24 horas, algo que na prática não ocorre). Em termos formais, o executivo procura afastar a ideia de participação direta. Em termos políticos, as classes dominantes portuguesas reafirmam sua lealdade incondicional aos Imperialistas ianques.
Ao admitir uma autorização para o uso da Base das Lajes numa intervenção em curso, ainda que sujeita a “condições” — suposta resposta a ataque, necessidade e proporcionalidade, e “limitação” a alvos militares — o velho Estado tomou uma posição inequívoca de alinhamento. A decisão representa um compromisso político com a estratégia militar ianque num cenário de escalada.
Paulo Rangel assegura ter “certeza absoluta” de que nenhum ataque foi conduzido a partir da base, mas a própria existência dessa autorização coloca Portugal como parte integrante do dispositivo logístico de uma nação opressora que já realizou e realiza constantemente ataques militares. O ministro reacionário afastou qualquer revisão do tratado que regula a presença dos imperialistas ianques nos Açores, afirmando que “o acordo não gera confusão nenhuma”, e, buscando tomar uma posição ainda mais submissa, acusou o oportunista Partido Socialista (PS) de “partidarizar o conflito”.
Ao mesmo tempo, Rangel classificou o Irão como “uma ameaça gravíssima”, apontando o apoio do país a grupos de resistência como o Hezbollah e o Hamas e o seu papel na guerra da Ucrânia ao lado do imperialismo russo. Esta caracterização, feita num momento de tensão militar, reforça a narrativa que legitima a intervenção ianque e concede respaldo político à retaliação armada.
O velho Estado prioriza a aliança com os Imperialistas em detrimento da qualidade de vida das massas
A decisão surge num contexto interno marcado por deterioração acentuada das condições de vida da população portuguesa e aumento exponencial dos gastos militares e do envio de recursos para a NATO. O Serviço Nacional de Saúde enfrenta falta crónica de profissionais, encerramento temporário de urgências e tempos de espera prolongados e na educação, persistem carências de docentes e degradação de infraestruturas. Paralelamente, os salários reais têm perdido poder de compra face à inflação acumulada dos últimos anos, enquanto o custo da habitação atinge máximos históricos nas principais cidades. Em contrapartida, os gastos com a NATO já somam os 5.9 mil milhões de euros, em forte contraste com os aproximadamente 1.5 mil milhões de euros anuais ao longo da última década.
É neste quadro social que o velho Estado reafirma que, em sua lista de prioridades, a submissão aos interesses do imperialismo ianque está muito acima da defesa do bem-estar das massas. Mesmo que aviões ainda não tenham descolado dos Açores para bombardear alvos no Médio Oriente, Portugal passa a assumir mais claramente a disponibilidade para integrar a cadeia logística de uma nova escalada bélica.
Num momento em que as condições de vida das massas se degradam e a nação (dentre as mais pobres da Europa Ocidental) enfrenta cada vez mais sinais de colapso interno, o velho Estado escolhe reafirmar a sua fidelidade aos seus amos imperialistas. Permanece, acima de tudo, uma interrogação inquietante: quando as massas oprimidas em Portugal se levantarem contra aqueles que as exploram, não serão as mesmas armas hoje apontadas ao Médio Oriente viradas contra elas? O caráter historicamente traidor e reacionário do velho Estado sugere que essa possibilidade não pode ser descartada.
