Foto: Reprodução/ AND.
Partilhamos matéria publicada na imprensa popular e democrática brasileira A Nova Democracia, com alterações linguísticas para facilitar a leitura.
Alex, militante da Liga da Juventude Revolucionária (LJR) da França, foi preso em 11 de março em Lyon, França, enquanto participava de uma manifestação em apoio à causa palestina, em mais um episódio da escalada repressiva contra o ativismo pró-Palestina no país. Uma audiência foi marcada para o dia seguinte, 12 de março, quando o judiciário francês deverá decidir sobre sua situação.
Detido durante um ato de solidariedade ao povo palestino em Lyon, Alex foi levado sob acusação relacionada ao seu engajamento político, reproduzindo um padrão de perseguição que organizações democráticas e revolucionárias denunciam como criminalização da solidariedade à Palestina. A LJR o classifica como preso político do Estado imperialista francês e afirma que sua detenção é arbitrária e “sem qualquer fundamento real, exceto o de calar a voz dos que se opõem ao imperialismo”.
Mobilização nas ruas
Logo após a prisão, a LJR e os Jovens Revolucionários (JR) convocaram, pelas plataformas digitais, uma jornada de mobilizações em várias cidades da França para exigir a libertação de Alex e denunciar a perseguição antidemocrática ao movimento pró-Palestina. Atos foram realizados em Paris, Toulouse, Rennes, Estrasburgo, Montpellier e outras cidades dentro do território francês; uma manifestação foi marcada em Lyon, em frente ao tribunal onde o ativista será julgado, com palavras de ordem em defesa da Palestina e contra a repressão estatal.

Repressão ao ativismo pró-Palestina
A repressão ao ativismo pró-Palestina na França se intensificou a partir do início de 2025, mas já ganhava espaço após o 7 de outubro de 2023, quando a operação Dilúvio de Al-Aqsa desencadeou uma onda de protestos e de endurecimento das medidas de repressão. Organizações democráticas em defesa dos direitos fundamentais e coletivos solidários à Palestina relatam proibições de atos, detenções preventivas e acusações de “apologia ao terrorismo” contra militantes que expressam apoio público à Resistência Nacional Palestina.
O jornal La Cause Du Peuple lista organizações que se ofereceram para lutar contra a criminalização do apoio à causa palestina, assim como em defesa da liberdade de expressão aos progressistas. São elas: Liga Anti-Imperialista (LAI), Partizan, Federação das Uniões Estudantis (FSE), Juventude Comunista (JC), Jovem Luta (YS), Organização de Solidariedade Trans (OST), Movimento da Juventude Comunista Francesa (MJCF), Revolução Permanente (RP) e Poing Levé (LPL), Organização Comunista da França (OCF), União Comunista Libertária (UCL), Comitê de Apoio à Revolução nas Filipinas (CSRP), a campanha Guerra Contra a Guerra, Partido Comunista Revolucionário, diversos Comitês Universitários Palestinos e o Coletivo Juvenil CGT 31.
Histórico de perseguição a Alex
Alex já havia sido alvo dos órgãos de repressão franceses após um discurso em defesa do povo e da resistência palestina, pelo qual foi detido durante um mês no início do ano de 2025 por agentes da “polícia antiterrorista”, sob a alegação de “apologia ao terrorismo”. Segundo a LJR, sua atuação política sempre esteve ligada à denúncia do imperialismo francês e do apoio de potências imperialistas à ofensiva sionista em Gaza.
Em 13 de maio de 2025, Alex compareceu a julgamento, mas o processo foi adiado para janeiro de 2026, prolongando a incerteza sobre seu futuro. Quando finalmente julgado, em janeiro de 2026, ele foi condenado a 10 meses de liberdade condicional, proibido de possuir armas e de exercer cargos públicos por cinco anos, incluído no Fijait (Registro Judicial Automatizado de Autores de Crimes Terroristas) e multado em 2 mil euros. A sentença comprova o caráter político do processo e insere o militante em um cadastro reservado normalmente a acusados de terrorismo.

