Muçulmanos xiitas paquistaneses queimam a bandeira nacional do EUA durante um protesto para marcar o Dia de Al-Quds em Lahore. Foto: AFP/Getty.
Partilhamos matéria publicada na imprensa popular e democrática brasileira A Nova Democracia, com alterações linguísticas para facilitar a leitura.
Em pleno Dia de Al-Quds, data instituída pela Revolução Iraniana de 1979 para marcar a solidariedade à causa palestina, milhões de pessoas em multidões tomaram as ruas de Teerã, Mashhad, Isfahan e centenas de outras cidades iranianas, desafiando abertamente o terrorismo aéreo praticado pela entidade nazi-sionista e pelo “Grande Satã”, EUA.
Nas celebrações do Dia de Al-Quds nem mesmo as explosões relatadas a poucos metros da manifestação em Teerã foram capazes de dispersar as massas, que carregavam bandeiras da Palestina e imagens do novo líder supremo da República Islâmica do Irão, Mojtaba Khamenei, sob nuvens de fumaça causadas por bombardeios da entidade sionista e do imperialismo ianque. Durante a marcha, em Teerã, explosões foram escutadas e uma pessoa foi morta por estilhaços de bombardeios lançados contra as massas pelos agressores ianques-sionistas.
O exército nazi-sionista informou ter bombardeado mais de 200 alvos no centro e oeste do Irão apenas nas últimas 24 horas, enquanto o secretário de Defesa ianque, o canídeo Pete Hegseth, vangloria-se de realizar hoje o “dia de maior intensidade de fogo cinético”.
Dirigentes da República Islâmica do Irão participaram diretamente das marchas, incluindo o presidente Masoud Pezeshkian e outras figuras do governo e das instituições de Defesa, que caminharam junto às multidões em Teerã em uma demonstração de unidade nacional pela resistência. O governo fez parte da mobilização das massas, convocando-as também por meios oficiais.
Na mesma data, mas em Jacarta, na Indonésia, manifestantes cercaram a embaixada do EUA para expressar apoio total aos palestinos e ao povo iraniano contra a agressão imperialista. Na Caxemira, o povo desafiou as forças de repressão e queimou caixões simulados com as imagens de Donald Trump e Benjamin Netanyahu. Celebrações também ocorreram em Sanaa (Iêmen), Islamabad (Paquistão), além de manifestações marcadas no EUA, Inglaterra, Bélgica, Suécia, França, Argentina, Venezuela e Brasil.
Pela primeira vez em décadas, o Reino Unido, em um ato de repressão fascista, proibiu marchas do Dia de Al-Quds sob a justificativa cínica de “evitar desordem pública”. Enquanto isso, o primeiro-ministro Keir Starmer fez questão de ressaltar que não participou dos ataques iniciais. No Canadá, dois vereadores de Toronto acionaram o judiciário para impedir a marcha que ocorrerá no sábado, afirmando que a marcha anual é “conhecida por incitar violência e antissemitismo”.
Propaganda de guerra e a realidade do Estreito de Ormuz
Enquanto o “Grande Satã” tenta pintar um cenário de “vitória total” por meio de vídeos que parecem trailers de filmes ou jogos de videojogo, a realidade impõe derrotas amargas ao imperialismo.
O portal Sepah News, da Guarda Revolucionária, informou que as forças de autodefesa iranianas já abateram 111 drones desde o início das agressões ianques-sionistas. Entre os troféus da resistência está um MQ-9 Reaper, drone de vigilância de alta tecnologia do EUA avaliado em mais de 30 milhões de dólares, derrubado sobre a província de Fars. Essa humilhação demonstra que o investimento bilionário em repressão não é páreo para a determinação de um povo anti-imperialista em armas.
Para tentar conter os ataques de drones iranianos, que custam apenas uma fração dos sistemas de defesa ianques e sionistas, o secretário do Exército do EUA, Dan Driscoll, enviou 10 mil drones interceptores Merops para a região. Entretanto, o custo de cada interceptor ianque (até 15 mil dólares) ainda é o dobro do custo de um drone Shahed-136 iraniano. Essa disparidade económica revela o atoleiro financeiro que se encontra o imperialismo ianque, que tenta sustentar uma guerra de agressão caríssima contra uma estratégia de autodefesa eficiente e de baixo custo.
A IRGC e o Hezbollah realizaram hoje uma operação conjunta de cinco horas de fogo contínuo, atingindo mais de 50 alvos militares em território ocupado por Israel, de Haifa a Tel Aviv. Em paralelo, o porta-voz do Comando de Operações Unificadas do Irão, Khatam al-Anbiya, reivindicou a derrubada de um avião KC-135 ianque, “atingida por um míssil disparado por grupos de resistência no oeste do Iraque”, resultando na morte de mais seis militares ianques durante uma operação de reabastecimento. O Comando Central do Exército do EUA em comunicado, evitando divulgar o fato, nega a todo custo, afirmando que “as circunstâncias do incidente estão sob investigação”.
A propaganda de guerra do “Grande Satã” não consegue esconder o impacto do bloqueio ao Estreito de Ormuz. A IRGC confirmou que o bloqueio ao Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção mundial de energia, continuará a ser utilizado como uma alavanca estratégica. Segundo o jornalista Inzamam Rashid, cerca de 1 mil navios continuam ancorados na entrada do estreito, incluindo 200 petroleiros. Essa ação já elevou o preço do barril de petróleo para o patamar de 100 dólares, gerando o que a Agência Internacional de Energia (International Energy Agency, IEA) classifica como a maior interrupção de abastecimento da história.
A arrogância de Donald Trump, que afirma estar “matando” o Irão, contrasta com a hesitação de seus próprios aliados. Membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) têm demonstrado desconforto com a ausência de um “plano de retirada”. O presidente da França, Emmanuel Macron, apressou-se hoje a descartar represálias contra o Irão após a morte de um militar francês em Irbil, no Iraque, afirmando que Paris não quer se envolver em uma “política de atrito”.
Essa fissura na coalizão militar dos imperialistas demonstra que o preço da aventura terrorista de Trump e Netanyahu está se tornando insustentável para as potências de segunda ordem da Europa e para as monarquias petrolíferas do Golfo, que veem seus céus cobertos pela fumaça dos mísseis iranianos. Mesmo com Trump acusando Putin de “estar ajudando um pouco o Irão”, até mesmo a superpotência atómica imperialista Rússia tem se beneficiado do caos, com o EUA sendo forçado a flexibilizar sanções para permitir a venda de petróleo russo e tentar conter a inflação galopante que devora o poder de compra das massas estadunidenses.
Como parte disso, na Noruega, o chanceler alemão Friedrich Merz criticou duramente o EUA por aliviar sanções ao petróleo da Rússia para conter a crise energética. Merz afirmou que Washington adotou uma abordagem equivocada, enquanto a ministra da Economia alemã, Katherina Reiche, acusou a flexibilização de “encher os cofres de guerra de Putin”.
