Foto: Reprodução/ The Red Herald.
Patilhamos aqui uma tradução não oficial da matéria presente no jornal revolucionário The Red Herald.
A 5 de março de 2026, realizaram-se eleições gerais no Nepal para eleger os 275 membros da Câmara dos Representantes. Esta nova farsa eleitoral foi boicotada pelas massas e pelos revolucionários de todo o país, levando até ao cancelamento das eleições em vários locais. As eleições foram convocadas na sequência dos protestos que abalaram o país em setembro de 2025.
A afluência às urnas foi de 58,07%, quase 4% inferior à das eleições anteriores. Destacou-se também a rejeição aos partidos revisionistas e anteriormente no poder, como o Partido «Comunista» do Nepal (Marxista-Leninista Unificado), que desencadeou uma repressão brutal contra as massas nos protestos de setembro, bem como os resultados catastróficos para o Partido de Prachanda, o chamado «Partido Comunista» nepalês. Ambos perderam dezenas de assentos no Parlamento.
Estas eleições foram rejeitadas por várias forças, que apelaram a uma campanha de boicote, como o Partido Comunista Revolucionário do Nepal (PCRN), tal como relatámos.
Foi constituído um Comité de Luta Conjunta, que anunciou um programa em duas fases para a campanha de boicote às eleições. O comité foi formado por vários partidos: o Partido Comunista Revolucionário do Nepal, o Partido Comunista do Nepal (Maioria), o Partido Comunista Socialista Científico do Nepal e o Partido Comunista do Nepal.
As massas realizaram várias ações contra a farsa eleitoral que os partidos políticos locais tentaram organizar. A ação das massas foi decisiva em muitos locais para boicotar a farsa. No Município Rural de Tamakoshi-4, Dolakha, as eleições foram canceladas porque as urnas foram roubadas. As massas agrediram os funcionários eleitorais, que precisaram da proteção das forças policiais, que abriram fogo contra os manifestantes.
No Município Rural de Gaurishankar-9, Dolakha, nem uma única pessoa participou nas eleições, embora houvesse 113 pessoas convocadas para votar. O mesmo aconteceu no Distrito n.º 7 do Município Rural de Manebhanjyang, onde nenhuma das 701 pessoas convocadas para votar participou na farsa. Protestaram afirmando que as necessidades da população, tais como a construção de um hospital, não foram satisfeitas. Os habitantes locais também boicotaram as eleições e não compareceram para votar em 6 secções de voto em Darchula, Bajhang, Dang e Okhaldhunga.

Em Sigal, Lalitpur e Dilli Bazaar, em Catmandu, efígies da primeira-ministra Sushila Karki foram queimadas por militantes do PCRN.



Em consequência das ações de boicote às eleições, vários ativistas foram detidos. Em Bharatpur, Chitwan, pelo menos dois membros do PCN (Maioria) foram detidos por alegadamente «violarem o código de conduta eleitoral». Três membros do comité central do PCRN foram detidos em Surkhet, outro em Kavrepalanchok e um membro do Bureau Político. Além disso, o presidente do Partido Comunista do Nepal e o secretário-geral do Partido Comunista do Nepal (Maioria) foram detidos, sem mandado, todos relacionados com o seu papel na campanha de boicote.
A campanha e as ações organizadas pelos revolucionários, bem como a baixa afluência às urnas, mostram como as massas rejeitam a velha ordem, não apenas recusando-se a votar, mas opondo-se ativamente a toda a farsa que está a decorrer. Também provaram muito claramente que têm o poder de organizar ações de boicote, o que impediu os funcionários do Estado de organizar a farsa em vários locais.
