Fonte: banco de dados da revista Nova Aurora
Segundo informações que circulam entre setores das massas e em canais não oficiais, faleceu no passado dia 14 de abril, aos 86 anos, Cui Gendi, viúva de Wang Hongwen, destacado dirigente da Grande Revolução Cultural Proletária (GRCP). Afastada há longos anos da vida pública, o seu nome voltou a emergir num momento em que amplas camadas do povo chinês, confrontadas com as mazelas da restauração capitalista, evocam com crescente nitidez a grande tempestade revolucionária que marcou uma época.
Cui Gendi uniu-se a Wang Hongwen quando este ainda era um operário de origem humilde, desempenhando funções de base no aparelho produtivo. Foi no seio da irrupção das massas, durante a Grande Revolução Cultural, que Wang se forjou como dirigente comunista, expressão direta da entrada do proletariado na arena política para exercer a sua ditadura contra a burguesia e impedir a restauração capitalista.
Após o golpe contrarrevolucionário levado a cabo pela camarilha revisionista de Deng Xiaoping, em 1976, e a perseguição desencadeada contra a chamada “Gangue dos Quatro” (núcleo que concentrava firmes defensores da linha proletária do Presidente Mao) Wang Hongwen foi detido pelas novas autoridades. Relatos apontam que, nesse momento, Cui Gendi teria declarado: “Ele vem de origens difíceis, ainda é jovem, eu esperarei por ele”, palavras que condensam não apenas a lealdade pessoal, mas a firmeza política diante da ofensiva revisionista.
Nos anos recentes, Cui Gendi converteu-se numa figura simbólica para setores das massas chinesas, em particular para a juventude, que nela viam uma ligação viva ao período em que milhões de oprimidos, empunhando alto a bandeira vermelha do maoísmo, travaram uma luta sem precedentes contra os seguidores do caminho capitalista. A sua memória passou a integrar esse fio de resistência que persiste mesmo sob as condições da restauração.
Wang Hongwen, nascido em 1935, destacou-se como um dos principais dirigentes do Partido Comunista da China durante a GRCP, representando operários e jovens na luta por aprofundar a construção do socialismo. Com a vitória temporária da linha revisionista após 1976, foi preso, condenado e mantido em cárcere até à sua morte, em 1992, tornando-se mais um entre os muitos quadros revolucionários martirizados pela contraofensiva burguesa. Cui Gendi permaneceu, ao longo das décadas, afastada da vida pública, surgindo apenas de forma esporádica em relatos e memórias daquele período. Ainda assim, a sua figura subsiste como testemunho de uma época em que as massas ousaram tomar o destino nas suas próprias mãos e transformar radicalmente a sociedade.
