Foto: Reprodução/ AND.
Partilhamos matéria publicada na imprensa popular e democrática brasileira A Nova Democracia, com alterações linguísticas para facilitar a leitura.
No dia 28 de março, cumpriu-se um evento estratégico na luta dos povos: foi realizada a Conferência Nacional da Liga Anti-imperialista Internacional no Brasil. A conferência ocorreu na cidade do Rio de Janeiro, com a presença de delegados e convidados de todas as regiões do país. Ao todo, mais de 200 anti-imperialistas estiveram presentes no evento, entre eles delegações de camponeses da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) e União das Comunidades em Luta (UCL), junto de operários, professores, estudantes e intelectuais.
A Conferência foi precedida de uma manifestação em defesa da Revolução Indiana e do Partido Comunista da Índia (Maoista), em denúncia à “Operação Kagaar” e ao governo fascista de Narendra Modi.

Participaram, enquanto delegados da Conferência, representantes de movimentos populares como a Frente Revolucionária de Defesa dos Direitos do Povo (FRDDP), o Movimento Feminino Popular (MFP) e a Liga dos Camponeses Pobres (LCP); entidades e organizações estudantis como a Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ExNEPe), o Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), a Alvorada do Povo (AP) e o Coletivo Estudantil Filhos do Povo (CEFP) e o Coletivo de Base Honestino Guimarães, entre outros; organizações de juventude como a Unidade Vermelha Liga da Juventude Revolucionária (UV-LJR); além de sindicatos e movimentos operários como a Liga Operária, o Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista (SindiPetro – LP) e a Liga Popular por Moradia (LPM); organizações de advocacia popular como a Associação Brasileira de Advogados do Povo – Gabriel Pimenta (ABRAPO) e veículos da imprensa popular e democrática, como o jornal A Nova Democracia.
Na mesa, foi concedida a menção honrosa às organizações e movimentos que participam da construção da Liga Anti-Imperialista no Brasil, mas que, devido às distâncias geográficas, não conseguiram estar presentes na Conferência, como o Coletivo Estudantil Mangue Vermelho, o Coletivo Carcará, o Movimento Anita Garibaldi, entre outros.

Em suas falas de saudação à fundação da LAI, os movimentos demarcaram sua posição anti-imperialista consequente. O representante de LAI no Brasil afirmou em sua fala de abertura: “Não há que ter ilusões com esse sistema. O sistema imperialista vai para a lata de lixo da história, ele vai ser varrido. Mas não será de forma espontânea, esse gigante de pés de barro precisa ser derrubado.”
O representante da FRDDP destacou: “O desenvolvimento da luta anti-imperialista que ocorre hoje na Ásia Ocidental, na Palestina, no Líbano, e hoje de forma esplêndida no Irão, comprova verdades as quais o maoísmo já havia colocado. Existem três contradições em nossa época: a contradição que opõe os próprios países imperialistas; a contradição entre o proletariado e a burguesia; e a contradição que opõe povos e nações oprimidas ao imperialismo. Essa terceira contradição, como bem disse o Presidente Mao, é a principal contradição da nossa época”.
A representante da LCP demarcou: “Desde a fundação da Liga dos Camponeses Pobres, nós afirmamos que a luta pela terra no nosso país só é possível de seguir adiante e avançar através da revolução agrária, e, para isso, nós temos que aplicar o princípio da aliança operário-camponesa e do internacionalismo proletário. Somos conscientes de que enfrentamos três montanhas de opressão sobre o povo: o latifúndio, que representa a semifeudalidade; a burguesia, que aplica o capitalismo burocrático; e que servem e são manutenção do imperialismo”. Após a intervenção, o salão ficou preenchido pelos gritos de “Viva a Revolução Agrária! Morte ao latifúndio!”
Já a representante do MFP declarou: “Companheiras! Mulheres e crianças têm sido especialmente afetadas pela política do imperialismo. A política de limpeza étnica de “israel”, sobre a forma de bombardeios, estupros, destruição de escolas e hospitais. Isso acontece não só na Palestina, mas em todos os países onde o imperialismo promove suas guerras de agressão”. Após a fala da representante, o auditório entoou em uníssono: “Despertar a fúria revolucionária da mulher!”.
As organizações e entidades estudantis presentes destacaram as imposições do imperialismo aos currículos de formação nas universidades e escolas brasileiras, assim como o papel-chave da juventude revolucionária, dos estudantes, em servir ao povo e transformar o mundo. “No regime militar, quando os estudantes revolucionários tiveram suas matrículas caçadas, eles deixaram as universidades para ir travar a luta revolucionária, como foi na Guerrilha do Araguaia”, destacou a representante do MEPR. O auditório foi preenchido pela palavra de ordem cantada pela plateia: “Somos estudantes, não somos pacifistas, viva a luta anti-imperialista!” e “Servir ao povo de todo coração! Tropa de choque da revolução!”.

Depois das saudações das organizações e movimentos, passou-se para a segunda parte do evento: a leitura do programa da Liga Anti-Imperialista e sua discussão. Nesse momento, os ativistas realizaram intervenções que aprofundaram a compreensão do programa, por meio de indicações e observações. Uma vez discutido o programa com toda a Conferência, as proposições práticas feitas pelo representante da LAI no Brasil foram aprovadas por unanimidade em todas as votações, demonstrando o alto nível de unidade entre os lutadores anti-imperialistas no país.
Foi formada, assim, uma pré-comissão da sessão brasileira da Liga Anti-imperialista Internacional no Brasil, assim como foram feitas as inscrições de delegadas e delegados para a Conferência Internacional, que ocorrerá em breve na América Latina.
O evento acabou com seus participantes em êxtase e cientes de que acabavam de participar de um momento histórico para a luta anti-imperialista no Brasil e no mundo. Todos os presentes comprometeram-se a, em suas lutas quotidianas, transbordar o anti-imperialismo em ações práticas.
