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Ocorrerá, no próximo dia 30 de maio, no Porto (em local e hora a ser divulgados na véspera estritamente aos participantes), a segunda edição do chamado “Remigration Summit”, um evento que irá reunir várias figuras da extrema-direita europeia para discutir e promover a expulsão sistémica e forçada de massas imigrantes e estrangeiros “ilegais” e “não assimilados” sob o pretexto de prevenir uma suposta e fabricada “Grande Substituição” etnocultural e “salvaguardar o futuro da civilização ocidental”.
Entre os palestrantes até agora confirmados, estão vários propagandistas, comentadores, e líderes políticos de extrema-direita, incluindo Afonso Gonçalves, líder e fundador do grupo ultrarreacionário “Reconquista”, criado à menos de três anos, e Martin Sellner, líder e fundador do “Movimento Identitário da Áustria”, grupo responsável por várias tentativas de disrupção de operações de resgate de imigrantes e refugiados. Sellner também é conhecido por ter tido correspondência frequente com – e recebido um donativo de cerca de 1500€ por parte de – Brenton Tarrant, homem australiano mais tarde responsável por dois massacres consecutivos em duas mesquitas em Cristchurch, Nova Zelândia, em março de 2019, tendo assassinado 51 pessoas.
Esta conferência é representativa de um avanço significativo na reação burguesa resultante da crise geral do imperialismo, pois não obstante a sua apresentação eufemística (senão redondamente enganadora) às massas, – nomeadamente evidente na reciclagem retórica total necessária para disfarçar uma questão de limpeza étnica e genocídio como uma iniciativa “humana e pacífica” de redistribuição demográfica gradual, refocada na proteção da “identidade nacional” e na “rearmonização cultural” (sendo estas ideações, nomeadamente a teoria da “Grande Substituição”, fortemente documentadas como tendo origem histórica nos movimentos nazifascistas do século passado) – demonstra escala e grau de impudência e descaramento consideráveis. Trata-se, assim, de uma ameaça significativa às comunidades imigrante, cigana, e muçulmana, entre vários outros setores demográficos portugueses.
É crucial também frisar o papel que este evento cumpre, tendo em conta a rede de movimentos semelhantes por toda a Europa a que pertence, no contexto da atual crise geral do imperialismo. O foco na estigmatização das comunidades imigrantes serve o propósito de desnormalizar a solidariedade para com os povos oprimidos do mundo e promover o ódio, e, por consequente, o saque e chacina imperialista destes, com fim a perpetuar a exploração global e dividir o proletariado, o campesinato e as massas trabalhadoras migrantes, distraíndo-os da sua própria condição como subordinados às classes dominantes.
Assim sendo, ativistas, democratas, revolucionários e internacionalistas deverão fortemente condenar este evento, rejeitando a deturpação dos caráteres das comunidades oprimidas, e, de igual modo, dos grupos e movimentos cujos interesses verdadeiramente representa. É tarefa destes denunciar a ofensiva contra os imigrantes como parte fundamental da reacionarização das classes dominantes em geral, e da burguesia burocrático-compradora e dos latifundiários em Portugal em particular, nos momentos de agudização da Crise Geral do Imperialismo, quando os imperialistas e seus lacaios buscam criar um novo espantalho para que as massas não se voltem contra seus verdadeiros opressores.
