Foto: Reprodução/Central Web da Revolução Filipina.
Partilhamos matéria publicada na imprensa popular e democrática brasileira A Nova Democracia, com alterações linguísticas para facilitar a leitura.
O Partido Comunista das Filipinas (PCF) condenou o massacre praticado pelo 79° Batalhão de Infantaria das Forças Armadas reacionárias das Filipinas (AFP, na sigla em inglês) contra 19 pessoas, entre combatentes revolucionários do Novo Exército Popular (NEP) e civis desarmados, na cidade de Toboso, no interior de Negros Ocidental. O crime de guerra ocorreu no dia 19 de abril.
Ao todo, dez combatentes maoistas do NEP e nove civis foram assassinados em Toboso, enquanto 653 pessoas de 138 famílias foram forçadas a evacuar com a ofensiva contrarrevolucionária ordenada pelo chefete lacaio filipino Marcos Jr., a serviço do imperialismo ianque.
As AFP chegaram a isolar a região, deslocando à força mais de 600 camponeses, visando impedir que presenciassem o massacre de seus chefes e dirigentes e dos guerrilheiros do NEP, que os defendiam.
PCF e camponeses homenageiam moradores e combatentes assassinados
O PCF homenageou seus combatentes caídos prestando honras e homenagens ao comandante da Frente Negros Norte, Roger Fabillar, conhecido como Ka Tapang, e aos combatentes Sonny Boy Caramihan, 28 anos; Rene Villarin, 57 anos; Pedro Bonghanoy, médico; Arnel Javoc, 32 anos; Joros Caramihan y Ramos, 18 anos; à instrutora política Maria Clarita Branzuel Blanco, conhecida como Ka Sanin; Genevieve Balora (Ka Raia), quadro do PCF; Labskie Purisimia Enustacion, 33 anos; Jociel Gimang, 18.
Dentre as vítimas civis estavam dirigentes camponeses, ativistas pelos direitos do povo, um jornalista comunitário e camponeses moradores da região, todos desarmados. Duas vítimas eram crianças. Há relatos ainda da possibilidade de dois estadunidenses terem perdido a vida com o ataque fascista.
As massas camponesas realizaram uma grande homenagem aos combatentes e civis assassinados. O PCF destacou que as massas de Negros Ocidental realizaram grandes filas para prestar suas últimas homenagens, demonstrando o amplo apoio popular à luta revolucionária. Os camponeses levaram os mortos em seus ombros, até o local do enterro, “como forma de expressar seu profundo respeito e admiração” pelos serviços prestados pelos revolucionários em defesa do povo.
Revolucionários desmentem mentiras reacionárias
Após o massacre, as reacionárias AFP apressaram-se para fabricar uma série de versões, contraditórias entre si, sobre supostos confrontos contra um grande regimento vermelho, ocultando informações sobre a identidade dos combatentes. Os militares fascistas alegaram confrontos em locais distantes ao acontecimento e apreensões de armas, com números que variavam de sete até 20 armamentos supostamente “apreendidos”.
Imagens de drones das AFP chegaram a mostrar Ka Tapang ferido, mas com vida, fortalecendo os indícios de execução sumária. O PCF inclusive exortou setores do exército filipino a entregar mais imagens clandestinamente para quadros do Partido, enquanto a FDNF convocou organizações populares a exigir uma investigação independente do massacre.
Em uma declaração datada em 23 de abril, o PCF afirmou que acreditar na versão do Exército filipino é “ignorar seu histórico documentado de ‘provas plantadas’ e ‘confrontos fabricados’”. Relembraram ainda do “Massacre dos Nove de Sagay”, onde nove agricultores foram brutalmente assassinados pelo Exército filipino em 2018 e arbitrariamente classificados de “combatentes vermelhos”.
Para os comunistas filipinos, o atual massacre, embora constitua uma derrota tática, “regou” as terras de Negros “com o sangue dos bravos” e só fortalecerá a Revolução de Nova Democracia em curso. “O Estado fascista vê apenas a contagem de corpos, mas o povo vê uma razão para continuar lutando”, salientou o PCF.
Sob o bastão de mando do imperialismo ianque
O regime de Marcos Jr. tem se utilizado de retóricas como “cooperação em segurança”, “exercícios militares conjuntos” e mesmo “resposta humanitária” para realizar ações coordenadas com os demônios ianques, “na busca por cumprir o prazo, frequentemente expirado, para pôr fim à revolução armada”, explica a Frente Democrática Nacional das Filipinas (FDNF).
A organização ainda afirma que, nesse contexto, o imperialismo ianque tem fomentado a intensificação do bombardeio contra áreas camponesas, “torturas e execuções contra trabalhadores, povos indígenas, ativistas e comunidades rurais inteiras”.
O PCF destaca que “essa recente atrocidade em Negros faz parte de um padrão mais amplo de massacres e graves violações perpetradas pelas AFP sob o comando de Marcos Jr. e a orientação de seu mestre imperialista, EUA”.
“Por meio de ajuda militar, cooperação em inteligência e apoio diplomático, o imperialismo norte-americano fortalece a máquina fascista usada por Marcos Jr. contra o povo filipino. As Filipinas receberão até 2,5 bilhões de dólares em Financiamento Militar Estrangeiro de 2026 a 2030, ou 500 de dólares anualmente, além de pacotes de assistência de segurança anteriores e paralelos. Os exercícios Balikatan em andamento são os maiores da história, com mais de 17.000 participantes, incluindo 10.000 soldados americanos, 1.400 japoneses, 400 australianos e muitos outros do Canadá, França e Nova Zelândia.”
Segundo o PCF, o imperialismo ianque almeja utilizar o território filipino como ponta de lança para sua contenda interimperialista com a China, mas vê seu plano de agressão ser impedido pela continuidade da Guerra Popular e Prolongada impulsionada pelo NEP e dirigida pelo PCF.
‘Revolução Filipina segue avançando’, declara FNDF
Rebatendo as declarações senis do fascista Marcos Jr., que, desde 2023, declara ter “derrotado o movimento guerrilheiro” – prazo agora adiado por ele mesmo para 2028 –, a FNDF afirma que o povo filipino está elevando sua luta armada, destacando que a população camponesa segue apoiando em massa o Novo Exército do Povo (NEP) como sua “principal arma de libertação”.
As “promessas” de Marcos Jr. foram sucessivamente derrotadas pela organização proletária do PCF. Um dos casos mais recentes foi a rendição de vários militares reacionários do 15° Batalhão de Infantaria para as forças do NEP, no mesmo distrito de Negros Ocidental, evidenciando a força da guerilha maoista na região.
“Saudamos os avanços do exército popular e da base revolucionária de massas no campo. Da mesma forma, elogiamos as forças da resistência revolucionária urbana por seus incansáveis esforços para expandir e consolidar organizações e redes revolucionárias, e para se conectar com as forças revolucionárias no campo. A revolução democrática nacional avança mesmo enquanto o EUA assume um papel cada vez mais direto nas campanhas militares contrarrevolucionárias do governo fantoche reacionário”, destacou a FDNF.
Prestando apoio ao NEP, a organização ainda conclamou as massas populares filipinas a elevar seu apoio à luta armada contra as classes dominantes reacionárias – e convocou particularmente os jovens a procurar se alistar nas fileiras guerrilheiras maoistas.
