Foto: Joe Mithamo.
Partilhamos aqui uma tradução não oficial da matéria presente no jornal revolucionário The Red Herald.
Os estudantes da Universidade de Laikipia protestaram no sábado, 21 de março, bloqueando trechos da autoestrada Nyahururu-Nakuru, exigindo que a instituição prestasse contas após a morte de um colega. O protesto foi seguido de uma repressão brutal e de confrontos.
A agitação foi desencadeada pela morte de um estudante que ficou gravemente ferido após ser atingido por uma pedra durante uma caminhada na sexta-feira, 20 de março. Os estudantes protestaram contra os atrasos na resposta de emergência. Devido a este atraso, o estudante não recebeu assistência a tempo e faleceu. A Universidade rejeitou as acusações ao afirmar que «foi coordenado o transporte numa ambulância para cuidados médicos adicionais, mas o estudante infelizmente faleceu enquanto recebia tratamento no hospital».
Os estudantes não acreditaram nessas alegações, protestaram contra o assassinato do estudante e exigiram melhorias nos serviços de saúde e de emergência do campus, incluindo a garantia de que ambulâncias e pessoal médico estejam sempre disponíveis durante atividades ao ar livre.
Como as suas exigências não foram atendidas, os estudantes continuaram os protestos e montaram barricadas na segunda-feira, enfrentando a brutalidade policial, demonstrando a sua raiva e paralisando o transporte ao longo da Autoestrada Nyahururu-Nakuru durante horas. A universidade foi encerrada por tempo indeterminado e foram destacados agentes da polícia. A imprensa burguesa alegou que os agentes da polícia estavam a usar apenas gás lacrimogéneo e a disparar tiros de aviso para o ar. A realidade é que dispararam munições reais contra os manifestantes, assassinando um deles, que foi alvejado no peito, e ferindo pelo menos outros seis.
Apesar deste homicídio, os manifestantes ripostaram e obrigaram a polícia a recuar, como se pode ver em várias imagens e vídeos divulgados nas redes sociais. Pelo menos 16 agentes da polícia ficaram feridos e dois veículos da polícia foram danificados.


Após os violentos protestos, as forças repressivas do Estado queniano ameaçaram os estudantes: na noite de segunda-feira, emboscaram um dos alojamentos estudantis, disparando contra o edifício e ameaçando matar os estudantes caso continuassem com o protesto.
As famílias do estudante assassinado e dos feridos exigiram justiça e denunciaram o uso de força letal pelas forças repressivas. A brutalidade policial no Quénia é bem conhecida, uma vez que os relatórios estimam que os homicídios cometidos pela polícia no país aumentaram 20% em 2025, passando de 104 em 2024 para 125 em 2025. Os tiroteios foram identificados como o principal método utilizado nas mortes causadas pela polícia, representando 114 dos 125 casos. Apesar da brutalidade da polícia queniana, os jovens não lhes têm medo. Mesmo que a polícia tivesse espingardas e estivesse a disparar munições reais, a determinação dos jovens em luta fez com que as forças repressivas recuassem, e mais uma vez ficou provado que as armas não são o fator decisivo, mas sim as pessoas.
